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Os redatores e seus textos de embalagem maravilhosos.

Eu sou aquele tipo de leitor compulsivo que lê embalagem de shampoo enquanto toma banho, bula de remédio sem estar doente e todos os textos da caixinha de suco enquanto engole o café da manhã.
Aliás, é exatamente sobre isso que eu quero falar hoje: os inacreditáveis textos impressos nas embalagens de sucos, chás e toda uma gama de produtos “saudavelmente corretos” que, com “muita” inspiração e criatividade, tentam nos convencer a consumir as marcas x ou y.

Convencer não com tabelas nutricionais e argumentos científicos, mas com historiazinhas curiosas e textos descoladinhos. É como diz a embalagem do suco de tangerina Do Bem: “sem adição de açúcares, água e conservadores, feito por jovens cansados da mesmice.” Pelo jeito isso se aplica aos próprios redatores das agências responsáveis pelo texto: criativos supostamente cansados da mesmice.

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A marca Do Bem, que praticamente inaugurou o estilo de textos cool em embalagens de produtos (pelo menos de sucos), até se saiu bem em sua investida. Antes dela, as embalagens eram de fato um porre, todas técnicas e chatas, dificilmente as pessoas liam. Apesar dos textos moderninhos e envolventes, a marca chegou a ter um problema com o Conar quando dizia em uma de suas historiazinhas que suas laranjas eras colhidas na fazenda do Seu Francisco, com a intenção de criar proximidade com o público através de uma história humana e casual (o princípio básico do storytelling). Acontece que as laranjas da marca Do Bem eram processadas em grandes fábricas que também produziam para outras marcas. A Do Bem se defendeu, o Conar arquivou o processo… e a marca continua com sua linguagem casual e bacaninha. Ponto pra ela.

O problema mesmo foram os “seguidores criativos” da Do Bem. E eu vou comentar alguns casos:

O primeiro é o do Detox da Smartlife que estampa na sua embalagem o seguinte texto: “…proporcionando bem estar e saúde às pessoas ativas e urbanas em busca de um estilo de vida equilibrado.”  Ou seja, se você optou por morar no meio rural, na sua fazenda ou numa pousada, esse produto definitivamente não é para o seu consumo.

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Outro texto curioso de embalagem é do energético Beauty Drink: “Depois de correr, dançar, malhar e sonhar, Beauty Drink… para hidratar corpo e alma.“  Eu sinceramente não sei se minha alma anda seca o suficiente para ter que hidratá-la com um energético, mas fica a dica.

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Um dos piores casos sem dúvida é o da embalagem de uma cerveja produzida com casca de laranja que diz o segunte: “Essa cerva é uma homenagem à todos (com crase…sic) que, como a gente, quer (sic) acabar com essa ressaca, que acreditam ser possível beber com dignidade e cidadania, passear livremente pelos bares a cantar e se divertir. Por isso, “Laranja” não é uma cerveja loura e gaguejante: é uma cerveja feita com laranja! Aprecie!”  Sem comentários.

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E, pra finalizar, o Chá Matte Leão, produzido pela Coca-Cola, cuja embalagem tem o sugestivo texto: “Cuide-se e sinta-se mais leve. Vale por um cafuné no ego.” Ou seja, você toma um chá mate e ganha um cafuné no ego. Acho que o chá que esse redator tomou foi outro.

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