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O Rei sem Corona.

Trump parace não se importar com as pessoas, com as instituições ou com o planeta. A sua política segregacionista pode até ser aprovada por um número considerável de americanos, mas o mundo não tem mais estômago para suas atuações indigestas.

Sinto dizer, caro “Trampa”, viver numa ilha ideológica não vai lhe deixar mais elegante nos quadros de moldura rococó da galeria dos presidentes americanos. Pelo contrário, é bem provável que você vá para o canto da sala ou até mesmo para o almoxarifado da Casa Branca.

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Poucos dias depois da posse, o mundo já torce o nariz para sua política desvairada e discriminatória. E não deve demorar para que países do G8 ou até mesmo do G20 comecem a se posicionar diante da ação corrosiva dos seus atos. Ontem mesmo deputados britânicos pediam ao parlamento que não autorizasse Trump a discursar no Palácio de Westminter, onde já discursou Nelson Mandela.

Mas o presunçoso Trump não está nem aí para a torcida adversária. Foi só sentar a bunda na cadeira de Obama, já iniciou uma série alucinante de canetadas, dando razão aos mais pessimistas em relação à sua capacidade de poder e destruição.

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Logo no ponta-pé inicial, retirou os Estados Unidos do TPP, o acordo Transpacífico de Cooperação Econômica. Em seguida, revogou o Programa Obamacare, que garantia um seguro saúde com cobertura médica para mais de 20 milhões de pessoas.

E a caneta nervosa não parava: Trump assinou decretos liberando a construção de dois oleodutos de alto risco ambiental e uma ordem executiva que proíbe o país de financiar órgãos não governamentais de saúde que pratiquem o aborto no exterior como opção de planejamento familiar.

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E, é claro, os mais polêmicos: a suspensão do programa de recebimento de refugiados e o veto da entrada no país de pessoas do Iraque, do Irã, da Líbia, da Somália, do Sudão e do Iêmen.

Pois é, o trator engatou uma oitava marcha e segue com sua pá dianteira em riste ameaçando o que o mundo demorou milênios para semear.

Nessa segunda, Trump demitiu a procuradora–geral, Sally Yates, depois que ela declarou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos não defenderia a decisão de proibir a entrada de refugiados no país.

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Que ele fosse capaz de ameaçar os desafetos, disso ninguém tinha dúvida. Com certeza, contava também com o medo de quem pudesse insinuar uma resistência. Mas o que o deselegante e antipático proprietário de cassinos não esperava era a reação imediata das grandes empresas da área de tecnologia e de campanhas publicitárias corajosas.

Pouca gente sabe, mas 74% dos funcionários das empresas do Silicon Valley  são de outras nacionalidades. Motivo de sobra para a reação por exemplo de Zuckerberg que declarou que os Estados Unidos são um país de imigrantes e que todos devem ter orgulho disso. E que a baixa no recrutamento de talentos internacionais é preocupante e perigosa para o próprio desenvolvimento tecnológico do país.

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Assim como Zuckerberg, os diretores executivos da Apple, da Netflix e da Microsoft também se pronunciaram, valorizando a mão de obra internacional. Mas houve casos mais contundentes, que saíram do âmbito do discurso e que denotam um tom claro de enfrentamento.

Foi o caso de Brian Chesky, CEO da Airbnb, que em seu Twitter declarou que a empresa está oferecendo hospedagem gratuita a qualquer pessoa que for impedida de permanecer nos Estados Unidos.  Ou ainda da rede “americana” de cafeterias Starbucks que planeja contratar dez mil refugiados de 75 nacionalidades para suas lojas espalhadas pelo mundo.

E até mesmo a Uber, criticada por fazer parte de um conselho de negócios de Donald Trump, se manifestou oferecendo ajuda financeira para os colaboradores que forem impedidos de trabalhar em função das restrições.

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Mas é provável que o golpe mais bem aplicado no queixo de vidro do mal educado presidente norte-americano seja o da cerveja mexicana Corona. Com a campanha “Somos Todos America”, que desafia e se contrapõe ao slogan de Trump “Make America Great Again”, a marca se posiciona como uma promotora da desfronteirização dos países, em claro confronto ideológico com o obtuso presidente que pretende construir um gigantesco muro, demarcando suas fronteiras e separando os países.

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Independente do risco de sofrer sanções e perder mercado dentro dos Estados Unidos, a marca Corona merece os mais efusivos elogios por sua coragem e hombridade em defender a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Que outras marcas sigam o exemplo da Corona.

De minha parte, prometo comprar uma caixa da cerveja depois de escrever esse artigo.

Opa, terminei.

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