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O pequeno mundo das redes sociais.

“As pessoas não usam as redes sociais para unir ou para ampliar os seus horizontes. Usam, na verdade, para se fechar em zonas de conforto onde o único som que escutam é o eco de sua própria voz… onde o único que veem são os reflexos de suas próprias caras.” O argumento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, crítico mordaz da política global e das benesses da revolução digital, traz ainda um desfecho preocupante: “As redes são muito úteis, oferecem serviços bastante prazerosos, mas são uma armadilha”.

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Exatamente isso!

Facebook, Snapchat, WhatsApp e os Telegrams da vida nada mais são do que estábulos organizados onde bovino convive com bovino, equino com equino e suíno com suíno. Acontece que esse gado não é capaz de enxergar o próprio confinamento e galopa eufórico em seu espaço demarcado sem perceber que o seu destino é o abate social. Como diria o velho e bom Zé Ramalho: Ê Ê Ô, vida de gado. Povo marcado, povo feliz.

E nem pense em convencer essas pessoas a se libertarem desse mundinho… elas projetam esse nicho como uma célula de segurança, onde as opiniões diferentes permanecem do lado de fora, protegidas por um campo de força impenetrável. Um lugar onde não há contestações ou discussões, apenas concordância. Um lugar onde todos têm a obrigação de pensar igual, de reagir como todos reagem, de terem as mesmas visões políticas, sociais ou filosóficas… sob o risco de serem banidos, expulsos, bloqueados.

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E não pense também que se trata apenas de diversão. Se houvesse uma enquete sobre o que é realmente importante na vida das pessoas, eu aposto que o WhatsApp estaria entre as 3 primeiras, disputando palmo a palmo com filhos, pais, maridos e esposas.

Se você acha que eu estou exagerando, experimente proibir alguém de usar smartphone, tablet ou computador. Esse alguém não vai sentir falta de fazer chamadas via celular ou de fazer pesquisas na internet. Nada disso. Ele vai tremer, como na abstinência de um viciado em drogas, por não poder se relacionar com os seus amigos do WhatsApp e do Facebook.

É claro que há exceções. E num universo de milhões de pessoas, elas não podem ser poucas. Existe sim vida inteligente nas redes sociais, mas essa não precisa de conselho ou alerta.

Apesar de oferecer infinitas possibilidades de troca de informações e um vastíssimo campo de absorção de conteúdo, o que realmente uma rede social costuma imprimir em seus participantes é um processo severo de idiotização. Onde predominam o cerceamento dos pontos de vista, a desconstrução do sentido de democracia e a apologia ao enfrentamento.

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E o mais incrível é que as pessoas não enxergam nada disso. Pra elas, tudo é normal. Acham que esse odiozinho destilado na rede faz parte de suas personalidades, que, na verdade, todos são assim. Elas só esquecem que esse ódio e essa diferença nasceram justamente dentro dessa redoma de segurança. Esquecem que essa coragem só existe porque é virtual. Porque ninguém corre o risco de tomar um tapa na cara. E esquecem também de que existe um mundo real lá fora, onde a regra ainda é respeitar os outros.

As redes sociais tinham tudo para ser o espaço perfeito de integração, mas infelizmente são compostas por esse gigantesco rebanho agrupado em ilhas de mediocridade e separado por gados de muita carne, pouco leite e zero de tutano.




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