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Halloween, o terror dos nacionalistas.

Chega essa época de fim de outubro e eu ouço a mesma ladainha dos nacionalistas de plantão: “É um absurdo comemorarmos o Halloween e não a Festa do Saci, da Mula-sem-cabeça ou da Cuca.”  É mais ou menos a mesma coisa que detonar o Tim Maia por ter trazido a sonoridade da black music dos “states” e dizer que o brasileiro deveria ouvir sua música de raiz como o samba ou as Sertanílias de Elomar. Só que eles se esquecem de que o samba não foi criado por Caramuru e sim por uma mistura dos batuques africanos e das marchinhas europeias. E que a música erudita de Elomar está muita mais ligada às raízes árabes e mediterrâneas do que ao sertão da Bahia.

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Essa coisa de supervalorizar a cultura brasileira começou a tomar força de fato na Semana de Arte de São Paulo, no início do século passado. E rapidamente virou moda no meio intelectual. Aliás, a intelectualidade brasileira está muito mais sujeita a modismos do que a garotada que frequenta os barzinhos da zona sul do Rio ou o Shopping Iguatemi de São Paulo. Foi assim em 1922, em 1969 e agora, de 2010 pra cá, com a instituição do politicamente correto.

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O intelectual brasileiro, de classe média média, artista, professor universitário, defensor das minorias e torcedor do Flamengo, curte mesmo é andar de SUV, passar o inverno em Paris, frequentar o Baixo Leblon , ver o Chico no Canecão e usar um All Star de “Vans em quando”. Na verdade ele nem sabe se as cotas universitárias e a recuperação de infratores são pautas mais importantes do que a alimentação vegana. Mas insiste em igualdade e distribuição de rendas, esquecendo que um show do Chico não sai por menos de trezentão.

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Me desculpem, mas não é uma questão de desvalorizar a nossa cultura. Acontece que vivemos num mundo absolutamente globalizado e querer ser ultranacionalista numa época em que é mais fácil falar com quem está no Japão do que em Alvorada de Minas é no mínimo curioso. O que importa de fato é a liberdade, seja ela de expressão, de manifestação, de paixão ou de consumo.

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Que os nacionalistas sejam felizes com as suas exteriorizações e teorias.

Mas que não encham o saco das pessoas que curtem uma festinha de Halloween. Até porque aposto que no Natal eles vão comprar um presentinho pra mulher, pros filhos e pros amigos. Mesmo que alguém lembre que o Papai Noel na verdade se chama Santa Claus e que Jesus não nasceu em Belém do Pará.

E olha que eu nem falei do carnaval, hein.




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