shutterstock_120964594

Estudante de Publicidade tem que ser criativo, principalmente na hora de arrumar emprego.

Em Santos, quase 300 alunos formados por semestre em Publicidade e Propaganda são despejados no mercado de trabalho em busca de uma tão sonhada vaga de emprego. E as agências de publicidade locais, que seriam o primeiro foco de interesse dos recém-graduados, não oferecem vagas nem mesmo para 5% desses futuros profissionais.

Aí a pergunta é quase automática: por que o mercado local não consegue absorver essa galera sedenta por uma oportunidade? Aumento dos índices de desemprego? Agravamento da crise econômica, reduzindo a capacidade de contratação das agências?

6325120589_992aa130ea_z

Se algum desses motivos tem implicação direta no problema, ela certamente não é das maiores. O real motivo pode estar na sombra de um gigante. Isso mesmo, uma impressionante sombra que faz com que alguns setores da nossa economia local praticamente desapareçam. E esse gigante atende pelo nome de São Paulo.

É para lá que migram as verbas publicitárias dos poucos grandes clientes que a cidade produz. Essas empresas, que têm punch para investir em publicidade, preferem dotar suas verbas para grandes agências de São Paulo com a “ilusão” de que serão melhor atendidas.

3407057279_3c28d83a7e_z

Seria até um raciocínio lógico se na prática funcionasse, mas o que acontece de verdade é que essas grandes agências de São Paulo estão acostumadas a gerenciar budgets astronômicos, o que coloca os nossos anunciantes na categoria de pequenos clientes. E para pequenos clientes, essas agências já não dispõem de um atendimento assim tão profissional: é muito comum ver duplas de estagiários criando peças para clientes desse porte… assim como profissionais de atendimento novatos, mídias debutantes e planejadores de pouca experiência formando núcleos de execução de jobs do segundo escalão.

E isso acontece inclusive com as prefeituras da região e as grandes empresas do polo petroquímico e do porto. Imagine o impacto que a verba desses clientes teria no mercado publicitário local.

É bem provável que esses “grandes” anunciantes, que optaram pelas agências da capital, fossem melhor trabalhados pelas empresas de propaganda daqui. Aposto que o atendimento seria mais personaizado, até porque essa verba _ que para o mercado local é considerada grande _ poderia ser usada para melhorar a infraestrutura das nossas agências, especialmente com a contratação de novos profissionais.

Voltemos então aos 300 despejados das instituições de ensino. Diante desse quadro pouco inspirador, eles mesmos já saem de suas universidades com a intenção de trabalhar em São Paulo, afinal é lá que estão os grandes salários da área. Mas esse é um dos mercados mais cruéis para os neófitos dessa religião. As grandes agências paulistanas só dão oportunidades para estágios de baixa remuneração, o que acaba selecionando drasticamente os candidatos da baixada, afinal nem todo mundo tem recursos para bancar aluguéis em São Paulo ou deslocamentos diários até aparecer de fato a oportunidade de efetivação.

4608963722_7c88e503f8_z

E esse é um círculo vicioso, onde não existe vaga de emprego aqui porque as agências locais não têm estrutura. E não têm estrutura porque não têm verba. Verba que os bons clientes daqui levam para São Paulo, onde acabam sendo mal atendidos. Mal atendidos em agências que não absorvem os recém-formados daqui.

Resumo da ópera: cerca de 90% das pessoas que estudam publicidade e propaganda acabam trabalhando em funções que não têm relação alguma com a sua formação. E na maioria dos casos, acabam ganhando melhor do que se estivessem na área. Parece piada, mas é a triste realidade.




Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *