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Gerenciamento de crise, o marketing do perdão.

Na Bahia, quando você é mal atendido em algum lugar é muito comum ouvir do funcionário a frase “Vai desculpando aí!”, que funciona como reconhecimento do erro e ao mesmo tempo como um pedido de perdão.

O curioso emprego do gerúndio tem supostamente a função de amenizar o problema, revelando um arrependimento contínuo e um pedido de clemência regular, constante. Como se valesse para os erros já cometidos, os que estão sendo cometidos e para os que ainda serão.

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O “Vai desculpando aí!” me lembrou (guardando as proporções) a cartinha do ator José Mayer publicada ontem na internet. Depois de ter bulinado a genitália de uma assistente de produção da Globo e ter sido acusado de assédio sexual, o galã sessentão (presumivelmente auxiliado por algum assessor de comunicação) se desculpou das acusações (que imediatamente se multiplicaram, já que a produtora abriu um precedente para as outras assediadas da emissora) dizendo que não tinha a intenção de desrespeitar ninguém com essas “brincadeiras” e que se considerava vítima de uma geração de machistas cujo comportamento não se enquadrava nos modelos atuais. É como se tivesse dito: “Vai desculpando aí… na verdade eu peguei na sua periquita porque acostumei a ver o meu pai agarrar a periquita da empregada.”

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Aliás, vivemos a era do ‘Vai desculpando aí!”. Vamos recordar alguns casos:

Em agosto de 2005, Lula foi ao ar em cadeia nacional para pedir desculpas em seu nome e no nome do PT pelo escândalo do mensalão. É como se ele tivesse dito: “Vai desculpando aí, meu povo. Eu jamais poderia imaginar que o presidente e o tesoureiro do meu partido e o mais importante ministro do meu governo fossem capazes de alimentar um esquema de corrupção como esse, bem debaixo do meu nariz.”

Ou como no depoimento do nadador americano Ryan Lochte durante a Olimpíada do Rio, quando ele pediu desculpas por “não ser cuidadoso e sincero” ao inventar a história de que teria sido assaltado na cidade para evitar que sua namorada, coelhinha da Playboy, não descobrisse que ele na verdade tinha virado a noite numa festinha carioca. Era como se tivesse falado: “Vai desculpando aí, imprensa, eu só enganei vocês porque o mundo inteiro conhece a fama do Rio em assaltos e crimes e, é claro, eu não podia me queimar com a minha gata, né.”

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Outro caso emblemático é o da ex-presidente da Coreia do Sul que, ao ser presa por corrupção, pediu desculpas ao povo dizendo que “se submeteria honestamente a investigações” para elucidar o caso. Como assim, honestamente? Que cara de pau. É como se tivesse dito: “Vai desculpando aí, meu povo. Eu só subornei algumas grandes empresas porque não poderia sair daqui de mãos abanando, não é mesmo. Uma outra oportunidade como essa, de ser presidente, eu não teria tão cedo.”

Ou ainda de um ex-guarda de Auschwitz que no ano passado, em seu julgamento, pediu desculpas ao povo judeu pelas atrocidades cometidas nos campos de concentração. É mais ou menos como se ele tivesse falado: “Vai desculpando aí, judeuzada, na época a gente não tinha o que fazer. Aquele cara era maluco. Ou a gente quebrava os ossos da galera e matava as grávidas arrancando os bebês com a mão ou a gente ia em cana. Não tinha pra onde correr.”

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Errar é comum e humano. E os erros devem ser pagos, na medida de suas intensidades e levando-se em consideração os problemas que eles podem causar. Mas o  assunto aqui não é o fato de errar ou não, mas sim o de como se desculpar dos erros.

A carta de José Mayer é um desastre de comunicação. Era necessário que ele se pronunciasse, é claro. Mas o teor do documento, em vez de amenizar , acabou potencializando  o problema. O texto, patético, tentava empurrar a culpa do assédio sexual aos seus ancestrais, como se o ator tivesse que pensar e se comportar exatamente como os seus avôs e bisavôs machistas dos séculos XIX e XX.  Assédio, meu caro Mayer, é crime. E crime se paga com cadeia, não com desculpas esfarrapadas.

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Mas às vezes a desculpa funciona e muito. Quando uma empresa, por exemplo, comete um erro que pode comprometer a sua marca, hoje é muito comum que se acione imediatamente os profissionais do “gerenciamento de crise”. São funcionários, ou empresas contratadas, normalmente das áreas jurídica e de marketing, especializados em resolver esses períodos críticos com ações de comunicação eficazes, que invariavelmente tranquilizam a opinião pública e criam um ambiente positivo para que a marca se reposicione sem perdas  econômicas ou de imagem.

O sujeito que escreveu a cartinha do José Mayer com certeza não era um profissional desse calibre. Ele agora deve estar é em maus lençóis. Ou então falando pro galã algo do tipo: “Vai desculpando aí, José Mayer, eu só estava tentando achar um jeito inteligente de defender você. Mas, se quiser, eu posso dar uma agarradinha aí na sua genitália pra compensar o erro. Desde que você não conte pra ninguém, é claro.”

 

 

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Terceirização. Qual é o tamanho desse monstro?

O assunto do momento é a aprovação do projeto de lei que autoriza o trabalho terceirizado de forma irrestrita.

Independente de ser uma bandeira do governo na busca de um resultado favorável com a suposta criação de uma grande frente de trabalho (que lhe traria méritos e méritos), o tema é quase uma unanimidade: vai ser uma merda para o povo. Afinal, é a perda de direitos até então intocáveis dos trabalhadores: décimo terceiro, férias, fundo de garantia etc.

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Não que os empregados corram o risco de perder esses benefícios em seus trabalhos, não. O que eles podem perder de fato são os próprios empregos, afinal é bastante tentador para o empregador substituir funcionários que lhe custam praticamente o dobro, segundo as regras da CLT, por terceirizados que lhe custarão apenas e tão somente o valor do salário. Sem contar que, como o índice de desemprego é alto, é muito fácil contratar profissionais por soldos menores até do que a média do mercado.

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Mas não se deve demonizar os empregadores por essa prática aparentemente prejudicial e insensível. Não esqueçam que a grande maioria dos empresários sofre com os altíssimos impostos e o custo mastodôntico de se manter uma empresa sem a prática do caixa 2 ou de qualquer outra forma de sonegação. Os empresários que se beneficiam com grandes contratos do governo, ou outras vantagens escusas, são na verdade uma seleta minoria, representada basicamente por grandes banqueiros, construtores e milionários de outros setores que têm por hábito trocar gentilezas com os caciques do planalto.  O fato é que mais de 99% dos empregadores mal conseguem manter suas empresas no azul, especialmente em tempos de crise como o atual.

Mas também não me parece justo beneficiar empresários, mesmo que estes estejam atolados na merda. Até porque estão atolados apenas até o joelho, enquanto povo já tem dificuldade de respirar.

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Mas o assunto dessa postagem não é calcular qual parcela da população vai ser mais prejudicada com a lei. Como também não é foco saber se ela é fruto do interesse do governo ou não. Até porque esse é um projeto que foi idealizado lá no tempo do FHC, que foi apoiado no governo Dilma e implantado no atual governo Temer. A ideia aqui é testar o projeto, tentando dar a ele um sentido prático, imaginar o que ele pode representar para o mercado de trabalho em geral.

E não é preciso recorrer a gurus econômicos para se ter pelo menos uma noção do que vai de fato acontecer. Basta dar uma pesquisada no que é, e no que sempre foi, o mercado publicitário. Esse sim, campeão da terceirização.

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Para quem não sabe, a profissão de publicitário foi regulamentada em 1965, mas o mercado é quem dita e sempre ditou as regras da categoria. As agências nunca exigiram formação universitária na hora de contratar os seus profissionais. O talento, a versatilidade, o desembaraço, a confiança e a dedicação sempre foram os grandes diferenciais dos profissionais na hora de construir seus currículos ou encarar as entrevistas de emprego.

Na minha humilde opinião, essa foi uma estratégia bastante funcional. Quem conhece da profissão sabe muito bem que esses atributos são de fato cruciais para quem quer se aventurar no mercado. E a produtividade e evolução dos profissionais está estritamente ligada aos resultados obtidos através do bom emprego desses atributos e não ao que se ensina nas universidades. Infelizmente essa é uma área onde a estrutura acadêmica sempre foi precária e pouquíssimas são as escolas com uma boa reputação no mercado.

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Acontece que o próprio modelo de se contratar gente talentosa e habilidosa acabou supervalorizando os profissionais da área e atraindo gente de outros segmentos, como jornalistas, arquitetos, escritores, artistas plásticos e até mesmo advogados e administradores. Como os salários eram atraentes, e não se exigia formação acadêmica, a corrida para as agências foi intensa.

E apesar de ser uma atividade onde as margens de lucro sempre foram bastante generosas, houve um momento em que ficou muito difícil manter os salários dos profissionais e a avalanche de encargos e impostos a que os empresários da área se submetiam.

O primeiro passo foi negociar os salários de forma que os valores não aparecessem integralmente nas carteiras de trabalho. Assim, o funcionário teria um registro de apenas 20 ou 30% do salário em carteira e o restante ele receberia por fora, sem comprovação. Para o funcionário era bom porque não cairia nas faixas de 15, 22,5 e até 27,5% de imposto de renda retido na fonte. E para o empregador, é claro, excelente: uma economia de mais de 50% do valor final a ser pago.

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Acontece que , como é uma área onde a carga de trabalho é muito variável e não pode ser medida por parâmetros estatísticos, como por exemplo o de produção em escala ou algo do tipo,  sempre foi bastante comum a contratação de freelancers para a execução de Jobs que fugiam à capacidade de produção das agências. E, é claro, todos esses trabalhos eram terceirizados. Uma prática bastante lógica diante dessa dificuldade de se prever tais variações no volume de trabalho.

Mas chegou um determinado momento do mercado em que os clientes começaram a questionar os altos honorários que pagavam para as agências em percentuais de mídia e produção. E pressionaram ao ponto de conseguir uma senhora redução nesses valores. Isso fez com que a margem de lucro das agências diminuísse consideravelmente.

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E o que aconteceu?

Como a prática da terceirização já era bastante difundida no meio, as agências passaram a contratar profissionais terceirizados para cargas de trabalho de 8 horas diárias. Ou seja, boa parte (talvez até a maioria) dos funcionários das agências de publicidade passaram a ser terceirizados. E o mercado continuou a funcionar como sempre funcionou: apostando nos profissionais de maior talento e de grande capacidade produtiva, independente do sistema de contratação.

Não que esse modelo sirva como referência para o que se espera da nova lei. Até porque, a Publicidade sempre foi um mercado atípico… tanto pela licensiosidade como pelo padrão de valorização profissional.

Mas cabe refletir principalmente quando se analisa sob o ângulo da livre concorrência e da necessidade de se agregar valor profissional na hora de se buscar uma vaga no mercado de trabalho.

O que eu quero dizer é que a merda já está feita… e que chorar não é a melhor estratégia. Se você vai perder direitos trabalhistas, que se prepare então para se transformar no melhor profissional e ser valorizado por isso. É a nova lei satânica do mercado. E não foi feita para anjinhos.

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O marketing matador.

Parece que algumas coisas estranhas só conseguem autorização divina para acontecer aqui… no nosso país.

Quem não lembra de Geisy Arruda, que virou celebridade por ser hostilizada na universidade ao ir à aula com uma saia rosa muito curta… o que lhe rendeu fama, dinheiro e uma posição de causar inveja a todas as saias curtas do país?

Ou mais recentemente de um assaltante que foi preso na Bahia e que em dois meses virou um MC de sucesso, vendendo milhares de cópias da música “Me libera nega”, que foi popularizada só porque a TV acabou filmando o elemento cantando dentro da viatura?

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O fato bizarro da semana é um tanto diferente. Envolve, ao contrário dos outros, um sujeito que já era personalidade, mas que estava preso por ter mandado matar a sua ex-amante e possivelmente ter dado o seu corpo para os cães comerem. E que agora volta aos noticiários por estar solto e por ter sido contratado por um time de futebol de Minas que quer se promover à custa de sua fama de assassino.

A figura em questão se chama Bruno Fernandes de Souza, nascido em 11 de março de 1984, em Ribeirão das Neves – MG, que foi condenado a 22 anos e 3 meses de cadeia por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver e que o ministro do Superior Tribunal Federal, Dr. Marco Aurélio Mello, concedeu a liberdade após ter ficado preso por apenas 6 anos e 7 meses.

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Solto no dia 24 de fevereiro de 2017 por bom comportamento, o ex-goleiro do Flamengo já deu uma declaração que traduz a sua personalidade de bad boy: “O fato de eu ficar mais tempo preso não a traria de volta”.

Se fosse nos Estados Unidos, onde as leis são feitas para serem cumpridas, o atleta teria amargado uma pena muito maior. Ou pelo menos não teria essa redução desrespeitosa que permite que um autor de um crime hediondo volte para a sociedade em pouco mais de seis anos. Nos Estados Unidos, um preso com menos de 10 anos de pena é considerado de alto risco de reincidência no crime e, por isso, deve ser submetido a um intenso trabalho de ressocialização, recebendo acompanhamento psicológico, prestando serviços sociais em comunidades carentes e sendo controlado de perto pelo estado.

A ressocialização de Bruno é no mínimo glamourosa. Vai voltar a jogar futebol, que é o que sempre quis na vida, e defender as cores de um time profissional do seu estado, ganhando 12 mil reais por mês e já com aumento garantido para 20 mil a partir de maio, ou seja, daqui a dois meses.  Pode parecer pouco dinheiro para um ex-goleiro de uma grande equipe como o Flamengo, mas não esqueçam que ele ainda deveria estar preso, limpando as latrinas das celas, como todo homicida triplamente qualificado.

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Mas o assunto desse artigo não tem nada a ver com o sistema judiciário e suas determinações penais. Essa introdução só serve para contextualizar o foco da matéria: o marketing institucional.

E o alvo da crítica não é o penalizado e nem mesmo o penalizador, mas sim uma entidade esportiva que resolveu se promover contratando o famoso assassino e assim direcionar os holofotes para o clube, que até então não passava de um coadjuvante no futebol brasileiro.

O Boa Esporte Clube de Varginha, time da segunda divisão do futebol mineiro, foi o grande articulador desse marketing institucional polêmico, pra não dizer suspeitoso e, em se tratando do tema “violência contra as mulheres”, escandalosamente preconceituoso.

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Como pode um time de futebol contratar um assassino , um homem que matou a ex-amante por não querer reconhecer a paternidade de um filho seu? Quais são os critérios dos diretores do clube? Eles afirmam que estão contribuindo justamente para esse processo de ressocialização de um ex-detento, dando-lhe oportunidade de reinserção na sociedade. São uns descarados, filhos da puta… isso sim. Por que, em vez de contratar o Bruno, não fizeram uma seleção de 4 ou 5  ex-presidiários da mesma cadeia a título de criar oportunidade pra eles? Seria bem mais barato do que os 20 mil mensais que vão pagar para o goleiro. Mas, é claro, não traria ao clube a visibilidade que eles esperam conseguir com a proeza de contratar uma personalidade do futebol nacional, mesmo sendo um assassino frio e sarcástico.

Mas existem coisas ainda mais dolorosas: ver, por exemplo, uma foto dessas (abaixo), tirada essa semana no campo de treino do Boa Esporte, onde três crianças e duas mulheres esperam pacientemente na fila para pedir autógrafo a Bruno, o goleiro matador.

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Não sei mais como qualificar esse episódio, mas espero que a torcida do clube e especialmente os seus patrocinadores tomem alguma atitude para frear esse jogo de interesses bizarros.

Merecem elogios as empresas Grupo Góis & Silva, Kanza, Cardiocenter Varginha, Magsul e Nutrends Nutrition que já cancelaram seus contratos de patrocínio com o clube.

Mas cabe lembrar que a Profile, a Kipão, a Kanxa, a Fenix, a Fazenda Ouro Velho, a Dengue Control e a própria prefeitura ainda apoiam o clube.

Só um conselho para a população de Varginha: Bruno pode ser a bola da vez do Boa Esporte, mas não deixem que ele seja um gol contra para a cidade.

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Senado volta atrás e reprova a nomeação de Alexandre de Moraes.

Como o meu blog não tem nada de popular, esse é o tipo de mentira que:

.  não traz consequência nenhuma,

. não incomoda rigorosamente ninguém

. e os leitores não têm o mínimo interesse em compartilhar, até porque o Blog do Brain alcança meia dúzia de pessoas que não têm o hábito de divulgar qualquer tipo de informação cuja fonte não seja absolutamente fidedigna ( Ah, eu queria aproveitar e agradecer “aos seis” pela fidelidade… muito obrigado).

Mas o que anda acontecendo nas redes sociais é muito diferente. Uma onda de ódio, desprezo e desrespeito tem se enraizado no ambiente digital causando discussões e enfrentamentos sem precedentes. E o grande responsável por toda essa maluquice se chama “notícia falsa”.

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Esse elemento temerário, conhecido também pelas alcunhas “fake news”, “factoide” ou “pós-verdade”, têm se revelado um agente extremamente perigoso no mundo virtual, se utilizando da ingenuidade das pessoas para crescer, se espalhar e infectar a sociedade.

Divagações à parte, vamos a alguns fatos que explicam melhor a tese:

Semana passada, a Folha de São Paulo publicou uma matéria bastante esclarecedora sobre o potencial destrutivo das notícias falsas. Nela, é possível se ter uma boa noção de como funciona a “fábrica de títulos sensacionalistas e inverdades que se disseminam nas redes sociais”.

Em primeiro lugar, é preciso entender por que esses blogs e sites têm interesse em divulgar informações falsas. É simples: essas informações, normalmente de teor político ou sobre algum assunto polêmico, costumam ter um engajamento muito alto. E, consequentemente, audiência. E audiência gera publicidade. E publicidade, como todos sabem, dá dinheiro. E, em alguns casos, muito.

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E a matéria da Folha trata justamente de um grupo de ilustres desconhecidos que criaram uma rede de blogs e sites especializada em propagar factoides. São mais de dez endereços eletrônicos gerando diariamente notícias falsas com o interesse de gerar visualizações e consequentemente vender anúncios. Estima-se que o principal site do grupo fature cerca de 100 mil reais por mês. Nada mal. Até porque ganhar dinheiro só para inventar mentiras não é das tarefas mais difíceis… ainda mais se analisarmos o perfil dos leitores que garantem esse sucesso: pessoas que costumam compartilhar tais matérias fakes lendo apenas os seus “títulos sensacionalistas”.

Mas o que levaria uma pessoa em sã consciência compartilhar uma notícia apenas lendo o seu título?

Segundo Judith Donath, pesquisadora do Centro Berkman Klein para Internet & Sociedade da Universidade de Harvard, “na era das redes sociais, não se compartilha ou curte notícias apenas para informar ou persuadir, mas como um marcador de identidade, uma forma de proclamar sua afinidade com uma comunidade particular”.

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Ou seja, as pessoas costumam ter um tipo de opinião cada vez mais sedimentada em relação a um assunto qualquer. E formam nichos digitais onde os participantes pensam exatamente da mesma maneira. E cristalizam essas opiniões de forma tão intensa e irrefutável que não admitem opiniões contrárias. E só passam a se interessar por notícias que atestem sua própria opinião.

Mas como são pessoas imediatistas e sem muita capacidade cognitiva e estofo intelectual, costumam compartilhar essas notícias sem checar sua veracidade e nem mesmo ler os seus textos na íntegra. Estou falando da maioria dos frequentadores de redes sociais.

E não é exagero. Uma pesquisa do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa mostra que apenas 8% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são capazes de se expressar por textos, de opinar sobre argumentos e interpretar tabelas e gráficos.

E é exatamente em cima da ignorância dessa grande parcela da população digital que esses astutos vendedores de notícias falsas atuam, ludibriando as pessoas e ganhando um dinheiro absurdamente desonesto.

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Acontece que não se pode coibir a disseminação de notícias na internet, seria como ir de encontro à famigerada “liberdade de expressão”.

Segundo Craig Silverman, editor de mídia do Buzz Feed e estudioso do fenômeno “Garotos da Macedônia” (talvez o maior “case” de disseminação de notícias falsas da história, onde adolescentes, atraídos pelo dinheiro de anúncios, criaram sites de notícias sensacionalistas pró-Donald Trump que geraram milhões de engajamentos no facebook e que podem ter tido peso relevante na vitória do presidente fanfarrão), “qualquer atitude só será eficiente se atacar as vantagens financeiras de criar notícias falsas e também as empresas que fornecem as plataformas que estão sendo usadas para criá-las e espalhá-las”.

Não podemos esperar que as pessoas aprendam, da noite para o dia, a ler, a interpretar textos e a ter discernimento em relação às opiniões. É muita coisa para um país que tem políticos milionários e eleitores ignorantes.

Mas é preciso fazer algum tipo de pressão ou mobilização para que se crie uma legislação severa que controle a ação desses canalhas disseminadores de fake news. É muito triste ver meia dúzia de safados ganhando dinheiro fácil nas costas da população indefesa. Pra isso, nós já temos os políticos.

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O marketing das minorias.

As minorias sempre foram relegadas ao segundo plano, não há como contestar essa tese. Antes da segunda metade do século XX, então, a coisa tomava proporções extraordinárias, com sacrifícios de crianças excepcionais, escravização de negros, extermínio de judeus, subjugação total das mulheres, intolerância, discriminação e rejeição ao homossexualismo, absoluto desprezo religioso… etc. Se as pessoas enxergam o mundo atual como o apogeu do preconceito é porque não têm o hábito da abrir os livros de história. A intolerância hoje é uma brincadeira de boneca se comparada às “brincadeiras de médico” do passado.

Mas isso não nos exime de lutar para que o mundo se livre de todo e qualquer tipo de preconceito. Acontece que as previsões mais otimistas indicam que essa realidade ainda está muiiiiito distante. É possível que o Palmeiras ganhe um mundial antes disso.

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Apesar de alguns exageros cometidos por representantes de certas políticas sociais, que contestam “apropriações culturais indébitas” ou que pregam a contratação de psicólogos, nutricionistas, professores de canto e de balé para estupradores com ficha corrida de 17 assassinatos, o assunto tem sido tratado com responsabilidade e empenho. Mas esse é um processo de transformação cultural que não depende apenas de decretos e leis mas sim de conscientização, e isso é tarefa do tempo.

Mesmo com a gradual extinção do coronelismo e dos resquícios das ditaduras políticas… e também dos valores distorcidos das antigas estruturas familiares, ainda existem arestas de preconceito, prejulgamento e intolerância que continuam a alimentar o ódio e as hostilidades.

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E é na mídia que mais nos arranhamos nessas arestas, seja ela informativa ou comercial. E é nas redes sociais, e na pouca habilidade de seus usuários quando expostos a essa mídia, que o ódio é destilado com mais frequência e as hostilidades colocam suas cabecinhas para fora dos buracos digitais.

Não gostaria de falar de jornalismo porque está cada vez mais difícil dissociá-lo da política. E a política anda polarizada demais para se tratar de assuntos tão polêmicos como desigualdade e intolerância. Por isso, vou falar de publicidade.

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Mesmo com o esforço das novelas e séries em indicar negros para papéis de personagens bem sucedidos ou descolados social e culturalmente, a televisão ainda é o maior reflexo dos estilhaços do preconceito e da segregação.

Na publicidade, por exemplo, quando se quer caracterizar um consumidor de um determinado produto, mesmo que não seja um produto direcionado ao público de alto poder aquisitivo, jamais se vê um negro fazendo o papel desse consumidor. Aliás, os negros, em 99% dos casos, só atuam como empregados ou serviçais.

Sem contar, é claro, com os absurdos cometidos sistematicamente, como o de um shampoo Dove americano que mostrava, num anúncio de revista, uma negra com cabelo armado logo abaixo do título “Before” e uma loira de cabelo liso com a palavra “After”.

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Uma breve ressalva para um movimento na Bahia, no final da década de 90, que reivindicava cotas para que negros tivessem um percentual garantido de participação como “figurantes” em publicidade. Lembro que acabou virando exigência legal, mas não sei se durou por muito tempo. Num estado com mais de 70% da população entre negros e pardos, uma figuraçãozinha é o mínimo do mínimo que a mídia poderia ter concedido. E ainda teve muito cliente perguntando assustado depois de assistir ao seu filme publicitário: mas por que um negro no meu comercial?

E isso não é privilégio dos negros. Um ator amador oriental, amigo de um amigo, tentou entrar no mercado publicitário mas desistiu porque só era chamado para fazer papéis bizarros, com estereótipos preconceituosos, ou para representar um produto ruim, falsificado, o Xing Ling do mercado.

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Num universo povoado por agências de publicidade que se dizem modernas e clientes que pregam o “marketing consciente” o que mais se vê é desigualdade, preconceito, homofobia, machismo…  (tente lembrar de um comercial de cerveja sem uma mulher gostosa rebolando para a câmera).

Pois nessa semana uma matéria no Meio & Mensagem me chamou a atenção para justamente o oposto. O Carrefour tinha contratado duas profissionais transgênero  em funções administrativas e de atendimento. E o mais importante de tudo é que fez isso em silêncio, sem se promover, num movimento que durou 7 anos e que começou com a criação de um “comitê de diversidade”, trabalhando em um processo interno de mudança de cultura e conscientização até chegar de fato à inclusão. Em sua página no Facebook, a empresa, pela primeira vez, divulgou o nome das funcionárias, afirmando que oferece “curso de captação em varejo para transgêneros com o objetivo de aumentar a chance dessas pessoas no mercado de trabalho”.

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Ou seja, existe uma luz no fim do túnel empresarial.

Ano passado uma campanha da L’Oréal também fez bastante barulho ao usar uma modelo transgênero como protagonista.

Ainda existe uma dúvida no ar se esses esforços são de fato autênticos, mostrando uma real preocupação social, ou se fazem parte de uma estratégia de marketing para vender, como aconteceu com muitas empresas a partir da década de 90 em relação às questões ambientais.

Mas vamos dar pelo menos um crédito ao Carrefour que levou 7 anos trabalhando na causa sem se promover.

Mas se eu descobrir que foi também uma jogada de marketing da rede, daqui pra frente eu só faço compras no mercadinho da esquina lá de casa (que tem uma funcionária que virou minha amiga e que se chama Rodrigo).

 

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O Rei sem Corona.

Trump parace não se importar com as pessoas, com as instituições ou com o planeta. A sua política segregacionista pode até ser aprovada por um número considerável de americanos, mas o mundo não tem mais estômago para suas atuações indigestas.

Sinto dizer, caro “Trampa”, viver numa ilha ideológica não vai lhe deixar mais elegante nos quadros de moldura rococó da galeria dos presidentes americanos. Pelo contrário, é bem provável que você vá para o canto da sala ou até mesmo para o almoxarifado da Casa Branca.

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Poucos dias depois da posse, o mundo já torce o nariz para sua política desvairada e discriminatória. E não deve demorar para que países do G8 ou até mesmo do G20 comecem a se posicionar diante da ação corrosiva dos seus atos. Ontem mesmo deputados britânicos pediam ao parlamento que não autorizasse Trump a discursar no Palácio de Westminter, onde já discursou Nelson Mandela.

Mas o presunçoso Trump não está nem aí para a torcida adversária. Foi só sentar a bunda na cadeira de Obama, já iniciou uma série alucinante de canetadas, dando razão aos mais pessimistas em relação à sua capacidade de poder e destruição.

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Logo no ponta-pé inicial, retirou os Estados Unidos do TPP, o acordo Transpacífico de Cooperação Econômica. Em seguida, revogou o Programa Obamacare, que garantia um seguro saúde com cobertura médica para mais de 20 milhões de pessoas.

E a caneta nervosa não parava: Trump assinou decretos liberando a construção de dois oleodutos de alto risco ambiental e uma ordem executiva que proíbe o país de financiar órgãos não governamentais de saúde que pratiquem o aborto no exterior como opção de planejamento familiar.

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E, é claro, os mais polêmicos: a suspensão do programa de recebimento de refugiados e o veto da entrada no país de pessoas do Iraque, do Irã, da Líbia, da Somália, do Sudão e do Iêmen.

Pois é, o trator engatou uma oitava marcha e segue com sua pá dianteira em riste ameaçando o que o mundo demorou milênios para semear.

Nessa segunda, Trump demitiu a procuradora–geral, Sally Yates, depois que ela declarou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos não defenderia a decisão de proibir a entrada de refugiados no país.

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Que ele fosse capaz de ameaçar os desafetos, disso ninguém tinha dúvida. Com certeza, contava também com o medo de quem pudesse insinuar uma resistência. Mas o que o deselegante e antipático proprietário de cassinos não esperava era a reação imediata das grandes empresas da área de tecnologia e de campanhas publicitárias corajosas.

Pouca gente sabe, mas 74% dos funcionários das empresas do Silicon Valley  são de outras nacionalidades. Motivo de sobra para a reação por exemplo de Zuckerberg que declarou que os Estados Unidos são um país de imigrantes e que todos devem ter orgulho disso. E que a baixa no recrutamento de talentos internacionais é preocupante e perigosa para o próprio desenvolvimento tecnológico do país.

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Assim como Zuckerberg, os diretores executivos da Apple, da Netflix e da Microsoft também se pronunciaram, valorizando a mão de obra internacional. Mas houve casos mais contundentes, que saíram do âmbito do discurso e que denotam um tom claro de enfrentamento.

Foi o caso de Brian Chesky, CEO da Airbnb, que em seu Twitter declarou que a empresa está oferecendo hospedagem gratuita a qualquer pessoa que for impedida de permanecer nos Estados Unidos.  Ou ainda da rede “americana” de cafeterias Starbucks que planeja contratar dez mil refugiados de 75 nacionalidades para suas lojas espalhadas pelo mundo.

E até mesmo a Uber, criticada por fazer parte de um conselho de negócios de Donald Trump, se manifestou oferecendo ajuda financeira para os colaboradores que forem impedidos de trabalhar em função das restrições.

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Mas é provável que o golpe mais bem aplicado no queixo de vidro do mal educado presidente norte-americano seja o da cerveja mexicana Corona. Com a campanha “Somos Todos America”, que desafia e se contrapõe ao slogan de Trump “Make America Great Again”, a marca se posiciona como uma promotora da desfronteirização dos países, em claro confronto ideológico com o obtuso presidente que pretende construir um gigantesco muro, demarcando suas fronteiras e separando os países.

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Independente do risco de sofrer sanções e perder mercado dentro dos Estados Unidos, a marca Corona merece os mais efusivos elogios por sua coragem e hombridade em defender a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Que outras marcas sigam o exemplo da Corona.

De minha parte, prometo comprar uma caixa da cerveja depois de escrever esse artigo.

Opa, terminei.

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Funk you, man.

Um amigo me pediu para que eu escrevesse sobre o sucesso do MC G15.

Aí eu pensei: o que será um MC G15? Um robô? Uma galáxia? Um fusil do exército?

O velho amigo Google logo esclareceu minha dúvida:

Gabriel Paixão Soares (Duque de Caxias, 1998), mais conhecido pelo seu nome artístico MC G15, é um cantor brasileiro de funk ousadia. Tornou-se internacionalmente conhecido pelo lançamento da canção “Deu Onda“, em novembro de 2016, single que esteve no topo da playlist mundial da plataforma Spotify.

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Confesso que me deixou confuso. Como pode alguém ficar internacionalmente conhecido com uma música lançada em novembro de 2016? Ou seja, há pouco mais de dois meses.

Caetano Veloso, Chico Buarque, Miles Davis, Michael Jackson, os Rolling Stones e até mesmo os Beatles não conseguiram. Mas o “genial” MC G15 conseguiu. E tocando funk ousadia.

Vamos contextualizar: o funk carioca (assim como o paulista, o da baixada etc) é provavelmente o maior lixo musical da história. Até o axé music, o pagode baiano e o sertanejo universitário são mais ricos em harmonia. É um verdadeiro crime chamar esse estilo musical de Funk, confundindo-o com a funk music criada nos anos 60 e imortalizada por monstros como James Brown, Average White Band, Funkadelic, Kool and the Gang e mais recentemente por excelentes bandas como The Sound Stylistcs, Baby Charles, Galliano e Jamiroquai.  Assim como o funk paulista gerou o “Ostentação”, o carioca criou alguns gêneros de muito sucesso como o Funk Proibidão, o Funk Melody, o Rasteirinha e o “Ousadia”, motivo do nosso artigo.

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Como naturalmente não sou conhecedor do assunto, fui dar uma leve pesquisada nos expoentes do tal funk ousadia. Li algumas matérias, escutei algumas entrevistas com os cantores, li algumas de suas letras. E até pelos nomes dá pra ver que são pós-adolescentes (MC Livinho, MC Brinquedo, MC Pedrinho, MC Pikachu… ) que se aventuraram nesse pobre universo musical em busca de sucesso e reconhecimento.

Garotos sem formação nenhuma (tanto musical como intelectual… muitas vezes nem mesmo escolar) que experimentaram a fama graças a um sucesso relâmpago como o do MC G15, ou com uma série de músicas com letras chulas, naturalmente mal escritas e de apelo sexual.

Deu onda é exatamente isso: uma música repulsiva, com uma letra tão inadjetivável que me vejo obrigado a reproduzir alguns de seus trechos:

“Eu não preciso mais beber e nem fumar maconha./Que a sua presença me deu onda./O seu sorriso me dá onda./ Você sentando mozâo, me deu onda./Que vontade de foder, garota./ Fazer o que? O meu pau te ama./ Meu pau te ama. Caralho.”

Se você ainda não teve o desprazer de ouvir, pode acreditar… a letra é exatamente essa (eu só tirei a parte sem graça)

É óbvio que a censura acabou exigindo uma “versão light” da letra, que toca nas rádios e na TV. Já a versão original só pode ser ouvida na internet (reduto natural de crianças e adolescentes, é claro).

E é muito comum ver a garotada de 10 ou 12 anos dançando a coreografia do clip com gestuais grotescos imitando sexo.

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Pois é, meu amigo, esses são os fenômenos musicais de hoje em dia. Melodias de péssima qualidade e letras falando sobre drogas, sexo, dinheiro, armas…

Mas fique tranquilo, essas músicas jamais chegarão aos seus ouvidos. Afinal, você tem bom gosto e só consome o que tem qualidade. Mas as crianças, os adolescentes e 95% do público em geral, que passa de 10 a 14 horas por dia em frente a uma tela de TV, computador ou smartphone… esses sim, continuarão ouvindo e curtindo.

Pois é, parece que esse poço não tem fundo mesmo. Que saudade da minha ingênua adolescência, onde o sucesso musical instantâneo era o Chico Buarque e as suas letras subversivas.

Mas eu queria deixar aqui um recado para os grandes empresários desse segmento da indústria fonográfica e em especial para os produtores musicais que realmente ganham dinheiro com esses meninos do funk:

Meu pai odeia vocês. (versão light)

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Do luxo ao lixo

E o prefeito de São Paulo, João Doria Jr, toma posse em grande estilo. Um pouco diferente, é verdade, do estilo parisiense que está acostumado. Mas foi uma posse que, sem dúvida, chamou a atenção de todos e explodiu na mídia:

de manhã cedo, ele se vestiu de gari e, empunhando uma vassoura, posou para fotos como se estivesse ajudando o pessoal da limpeza urbana logo no seu primeiro dia de mandato.

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É claro que o pessoal da limpeza “de verdade” já tinha dado uma boa garibada no chão para que o prefeito não corresse o risco de ter que sujar suas cheirosas e delicadas mãozinhas retirando algum resíduo sólido do chão que porventura sua vassoura não conseguisse remover.

Mas não foi a escalafobética estratégia de marketing pessoal que mais surpreendeu. E sim o seu depoimento, logo em seguida.

Questionado se era a primeira vez que ele fazia uma faxina, o agora prefeito disse:

“É a primeira de muitas”. E prometeu que pelo menos uma vez por semana, durante os próximos 4 anos, estará nas ruas como gari.

Me desculpem, mas preciso de alguns minutinhos para fazer um cálculo rápido junto com vocês. Vamos lá:

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Para fazer uma palermice como essa, de se vestir de gari e ir até um determinado local e fingir que está trabalhando, o prefeito vai perder aproximadamente duas horas num dia.

Como ele se propõe a fazer isso uma vez por semana, serão 8 horas num mês (alguns meses têm 5 semanas, mas vamos dar esse desconto). Em um ano, ele perderia 96 horas. Como são 4 anos de mandato, seriam 384 horas. Dividido por 8, que são as horas que em média ele deveria trabalhar por dia, teremos 48 dias trabalhados.

Ou seja, só pra fazer essa tolice, ele perderia, em todo o seu mandato, 48 dias de trabalho. Dias em que ele deveria estar resolvendo problemas de interesse real para a população, como os voltados para a saúde, a educação, a segurança…

É o fim da picada.

 

Mas capacidade de trabalho é uma coisa que realmente impressiona quando falamos do novo prefeito da capital paulista:

Com apenas 59 anos de idade, João Doria Jr. (além de filho do milionário João Doria) foi publicitário, editor, relações públicas, promotor de eventos, apresentador de reality show, entrevistador, diretor de TV, diretor de marketing, escritor de livros de autoajuda,  presidente da EMBRATUR, colunista da ISTOÉ, Chairman da Casa Cor…

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Pois é, estava faltando o posto de gari no seu currículo.

 

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Hoje o mundo acordou verde… e triste.

Uma tragédia aérea matou mais de 70 pessoas entre tripulantes, jornalistas, dirigentes, comissão técnica e jogadores da Chapecoense, um time de futebol que alcançava a sua maior glória indo à Colômbia disputar o inédito título de campeão sul-americano.

Um time que encheu os olhos de torcedores e apaixonados pelo esporte com um futebol de primeiríssima qualidade e que impressionou os profissionais da área e a imprensa em geral, provando que é possível sim, mesmo com um orçamento reduzido, uma equipe considerada “pequena” ficar entre as 10 primeiras no campeonato brasileiro da primeira divisão e ainda chegar a uma final de competição internacional.

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Um sonho interrompido por um acidente que tirou a vida de praticamente todo o time, poupando apenas 3 jogadores que podem ser considerados frutos de um milagre de Deus, mas que eu prefiro chamar de uma grande obra do acaso.

Colocando de lado discussões menos importantes como a previsão quase certeira de um vidente paranaense sobre o acidente…  e a sorte de algumas pessoas que deixaram de embarcar por  um motivo qualquer, como no caso do filho do treinador Caio Jr que perdeu o voo porque esqueceu o passaporte, dois fatos me chamaram a atenção nesse lamentável episódio.

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O primeiro foi o discutível depoimento do vice-presidente da Chapecoense, Ivan Tozzo, que (acredito eu por inocência ou abalo emocional do dirigente) acabou gerando uma interpretação estranha ao aparentemente dar mais importância à instituição Chapecoense do que às vidas que foram perdidas na tragédia. Vejam a íntegra do depoimento e, em negrito, o momento em que ele se expressa de maneira contestável:

“Muito triste a notícia que recebemos hoje de manhã. Jamais iríamos esperar. Estamos reunidos no estádio, recebendo as pessoas envolvidas, as pessoas que amam a Chapecoense. É uma notícia que não existe. Até agora não caiu a ficha. Estamos no aguardo, todo mundo confiando em Deus que as coisas vão acontecer certo para nós. É complicada a dor. Eu que estou há muito tempo envolvido na Chapecoense, sei o que passamos até aqui. Agora que chegamos, não vou dizer no auge, mas em destaque nacional, acontece uma tragédia dessa. É muito difícil, uma tragédia muito grande.”

Lendo o texto, pode não parecer tão controverso assim, mas eu casualmente vi a entrevista ao vivo e, na hora, pelo tom da resposta, causou de fato uma má impressão.

Volto a dizer que não acredito que o vice-presidente tenha pensado mais no clube do que nas famílias das vítimas, mas é muito importante, especialmente em momentos críticos como esse, que um alto dirigente esteja preparado para falar em público sem cometer erros ou gerar interpretações duvidosas como essa.

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O segundo ponto é a necessidade da mídia de emitir notícias ininterruptamente, na velocidade da luz, sem avaliar as consequências de publicar matérias que não foram devidamente checadas. O fato é que durante a manhã de hoje, o atleta Danilo Padilha já foi noticiado como morto e como sobrevivente por diferentes veículos de comunicação online. E ainda agora (hora em que eu estou escrevendo esse artigo) alguns sites (como o G1) continuam confirmando o falecimento do jogador

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http://g1.globo.com/pr/norte-noroeste/noticia/2016/11/goleiro-danilo-morre-apos-ter-sido-socorrido-de-acidente-com-aviao.html

e outros (como o UOL)  insistem na informação de que ele está vivo.

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http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2016/11/29/heroi-da-classificacao-danilo-e-uma-das-vitimas-do-acidente-da-chape.htm

Agora imagine uma mãe desesperada, absolutamente plugada na internet em busca de notícias do seu filho, diante de um absurdo desses:

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http://sportv.globo.com/site/programas/selecao-sportv/noticia/2016/11/mae-de-danilo-diz-estar-desesperada-sem-saber-se-o-filho-esta-vivo-ou-morto.html

 

Pois é, sem comentários.

 

 

 

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O que essa galera tem na cabeça?

Hoje eu não vou falar de publicidade, mas de moda… conceitos de certa forma até bem próximos, ou pelo menos muito relacionados. Na verdade, vou falar de modismos.

Mais especificamente dessa onda dos cabelinhos raspados na lateral e com um pega-rapaz em cima que, na minha opinião, é ridícula demais. Tudo bem, vocês devem estar pensando que eu sou velho e por isso estou criticando o corte.

Ok, tenho que admitir. Mas uma coisa é certa: a idade acaba nos trazendo discernimento suficiente para nos afastar um pouco dos modismos, que nada mais são do que a necessidade de seguir padrões. Padrões que a maioria das pessoas não critica e nem mesmo avalia. Padrões criados não se sabe por quem ou com que competência, sejam eles de ordem estética ou de conduta.

Além de demonstrar certa falta de personalidade, o ato de seguir e perseguir constantemente a moda (sem o mínimo espírito crítico) é profundamente lamentável. Mas infelizmente acontece com muuuiiiita gente.

Vamos começar provocando um mínimo de reflexão de ordem estética: raspar as laterais da cabeça faz com que o crânio se alongue, especialmente nas pessoas de cabelos volumosos. E se essa pessoa já tem um crânio alongado, a tendência é que sua cabeça se afine radicalmente, se assemelhando a um pepino.

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Rostos triangulares pedem fios mais compridos, com mechas caindo pela testa e laterais da cabeça. Já para os quadrados, o ideal é um corte mais assimétrico, com fios repicados ou pontas irregulares, tirando assim a sisudez desse tipo de rosto.

Aí você pergunta: como esse cara, antigo desse jeito, sabe dessas coisas?

Ora, eu simplesmente consultei um site na internet (http://bit.ly/2fAeO82).

Ou seja, algo que todos esses meninos-seguidores-de-modismos, que raspam as têmporas, usam barba cortada com máquina 4 e coquezinho de samurai, deveriam fazer. Provavelmente eles teriam achado um corte que favorecesse o seu tipo de rosto, ao invés de imitar os jogadores de futebol e os bombadões de academia.

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Eu uso suspensórios, chapéu e óculos de lente grossa, ou seja, estou a anos-luz de distância da moda. E mesmo quando eu acho que a moda tem a minha cara, nunca consigo segui-la (vai ver é a minha cara que não ajuda muito). Eu só procuro manter o meu estilo na hora de me vestir.

Mas com esse jeitão nerd-antiquado, eu não sou exemplo pra nada. Eu só quero dizer que o importante é usar aquilo que nos faz bem, que nos deixa confortáveis e felizes.

Todo mundo tem que ter a liberdade de vestir o que quiser e cortar o cabelo da maneira que bem entender. Mas, por favor, procurem preservar um pouco de suas personalidades. As nossas convicções são muito mais importantes do que a roupa que vestimos ou o cabelo que cortamos ou deixamos de cortar.

Não que a gente tenha que evitar definitivamente a moda, mas pelo menos avaliar se ela se encaixa na nossa maneira de ser, de agir e de pensar. E também, é claro, se ela se comporta bem com a nossa estética.

E olha que vocês têm muita sorte de não terem vivido na década de 80.

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