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Senado volta atrás e reprova a nomeação de Alexandre de Moraes.

Como o meu blog não tem nada de popular, esse é o tipo de mentira que:

.  não traz consequência nenhuma,

. não incomoda rigorosamente ninguém

. e os leitores não têm o mínimo interesse em compartilhar, até porque o Blog do Brain alcança meia dúzia de pessoas que não têm o hábito de divulgar qualquer tipo de informação cuja fonte não seja absolutamente fidedigna ( Ah, eu queria aproveitar e agradecer “aos seis” pela fidelidade… muito obrigado).

Mas o que anda acontecendo nas redes sociais é muito diferente. Uma onda de ódio, desprezo e desrespeito tem se enraizado no ambiente digital causando discussões e enfrentamentos sem precedentes. E o grande responsável por toda essa maluquice se chama “notícia falsa”.

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Esse elemento temerário, conhecido também pelas alcunhas “fake news”, “factoide” ou “pós-verdade”, têm se revelado um agente extremamente perigoso no mundo virtual, se utilizando da ingenuidade das pessoas para crescer, se espalhar e infectar a sociedade.

Divagações à parte, vamos a alguns fatos que explicam melhor a tese:

Semana passada, a Folha de São Paulo publicou uma matéria bastante esclarecedora sobre o potencial destrutivo das notícias falsas. Nela, é possível se ter uma boa noção de como funciona a “fábrica de títulos sensacionalistas e inverdades que se disseminam nas redes sociais”.

Em primeiro lugar, é preciso entender por que esses blogs e sites têm interesse em divulgar informações falsas. É simples: essas informações, normalmente de teor político ou sobre algum assunto polêmico, costumam ter um engajamento muito alto. E, consequentemente, audiência. E audiência gera publicidade. E publicidade, como todos sabem, dá dinheiro. E, em alguns casos, muito.

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E a matéria da Folha trata justamente de um grupo de ilustres desconhecidos que criaram uma rede de blogs e sites especializada em propagar factoides. São mais de dez endereços eletrônicos gerando diariamente notícias falsas com o interesse de gerar visualizações e consequentemente vender anúncios. Estima-se que o principal site do grupo fature cerca de 100 mil reais por mês. Nada mal. Até porque ganhar dinheiro só para inventar mentiras não é das tarefas mais difíceis… ainda mais se analisarmos o perfil dos leitores que garantem esse sucesso: pessoas que costumam compartilhar tais matérias fakes lendo apenas os seus “títulos sensacionalistas”.

Mas o que levaria uma pessoa em sã consciência compartilhar uma notícia apenas lendo o seu título?

Segundo Judith Donath, pesquisadora do Centro Berkman Klein para Internet & Sociedade da Universidade de Harvard, “na era das redes sociais, não se compartilha ou curte notícias apenas para informar ou persuadir, mas como um marcador de identidade, uma forma de proclamar sua afinidade com uma comunidade particular”.

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Ou seja, as pessoas costumam ter um tipo de opinião cada vez mais sedimentada em relação a um assunto qualquer. E formam nichos digitais onde os participantes pensam exatamente da mesma maneira. E cristalizam essas opiniões de forma tão intensa e irrefutável que não admitem opiniões contrárias. E só passam a se interessar por notícias que atestem sua própria opinião.

Mas como são pessoas imediatistas e sem muita capacidade cognitiva e estofo intelectual, costumam compartilhar essas notícias sem checar sua veracidade e nem mesmo ler os seus textos na íntegra. Estou falando da maioria dos frequentadores de redes sociais.

E não é exagero. Uma pesquisa do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa mostra que apenas 8% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são capazes de se expressar por textos, de opinar sobre argumentos e interpretar tabelas e gráficos.

E é exatamente em cima da ignorância dessa grande parcela da população digital que esses astutos vendedores de notícias falsas atuam, ludibriando as pessoas e ganhando um dinheiro absurdamente desonesto.

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Acontece que não se pode coibir a disseminação de notícias na internet, seria como ir de encontro à famigerada “liberdade de expressão”.

Segundo Craig Silverman, editor de mídia do Buzz Feed e estudioso do fenômeno “Garotos da Macedônia” (talvez o maior “case” de disseminação de notícias falsas da história, onde adolescentes, atraídos pelo dinheiro de anúncios, criaram sites de notícias sensacionalistas pró-Donald Trump que geraram milhões de engajamentos no facebook e que podem ter tido peso relevante na vitória do presidente fanfarrão), “qualquer atitude só será eficiente se atacar as vantagens financeiras de criar notícias falsas e também as empresas que fornecem as plataformas que estão sendo usadas para criá-las e espalhá-las”.

Não podemos esperar que as pessoas aprendam, da noite para o dia, a ler, a interpretar textos e a ter discernimento em relação às opiniões. É muita coisa para um país que tem políticos milionários e eleitores ignorantes.

Mas é preciso fazer algum tipo de pressão ou mobilização para que se crie uma legislação severa que controle a ação desses canalhas disseminadores de fake news. É muito triste ver meia dúzia de safados ganhando dinheiro fácil nas costas da população indefesa. Pra isso, nós já temos os políticos.

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O marketing das minorias.

As minorias sempre foram relegadas ao segundo plano, não há como contestar essa tese. Antes da segunda metade do século XX, então, a coisa tomava proporções extraordinárias, com sacrifícios de crianças excepcionais, escravização de negros, extermínio de judeus, subjugação total das mulheres, intolerância, discriminação e rejeição ao homossexualismo, absoluto desprezo religioso… etc. Se as pessoas enxergam o mundo atual como o apogeu do preconceito é porque não têm o hábito da abrir os livros de história. A intolerância hoje é uma brincadeira de boneca se comparada às “brincadeiras de médico” do passado.

Mas isso não nos exime de lutar para que o mundo se livre de todo e qualquer tipo de preconceito. Acontece que as previsões mais otimistas indicam que essa realidade ainda está muiiiiito distante. É possível que o Palmeiras ganhe um mundial antes disso.

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Apesar de alguns exageros cometidos por representantes de certas políticas sociais, que contestam “apropriações culturais indébitas” ou que pregam a contratação de psicólogos, nutricionistas, professores de canto e de balé para estupradores com ficha corrida de 17 assassinatos, o assunto tem sido tratado com responsabilidade e empenho. Mas esse é um processo de transformação cultural que não depende apenas de decretos e leis mas sim de conscientização, e isso é tarefa do tempo.

Mesmo com a gradual extinção do coronelismo e dos resquícios das ditaduras políticas… e também dos valores distorcidos das antigas estruturas familiares, ainda existem arestas de preconceito, prejulgamento e intolerância que continuam a alimentar o ódio e as hostilidades.

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E é na mídia que mais nos arranhamos nessas arestas, seja ela informativa ou comercial. E é nas redes sociais, e na pouca habilidade de seus usuários quando expostos a essa mídia, que o ódio é destilado com mais frequência e as hostilidades colocam suas cabecinhas para fora dos buracos digitais.

Não gostaria de falar de jornalismo porque está cada vez mais difícil dissociá-lo da política. E a política anda polarizada demais para se tratar de assuntos tão polêmicos como desigualdade e intolerância. Por isso, vou falar de publicidade.

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Mesmo com o esforço das novelas e séries em indicar negros para papéis de personagens bem sucedidos ou descolados social e culturalmente, a televisão ainda é o maior reflexo dos estilhaços do preconceito e da segregação.

Na publicidade, por exemplo, quando se quer caracterizar um consumidor de um determinado produto, mesmo que não seja um produto direcionado ao público de alto poder aquisitivo, jamais se vê um negro fazendo o papel desse consumidor. Aliás, os negros, em 99% dos casos, só atuam como empregados ou serviçais.

Sem contar, é claro, com os absurdos cometidos sistematicamente, como o de um shampoo Dove americano que mostrava, num anúncio de revista, uma negra com cabelo armado logo abaixo do título “Before” e uma loira de cabelo liso com a palavra “After”.

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Uma breve ressalva para um movimento na Bahia, no final da década de 90, que reivindicava cotas para que negros tivessem um percentual garantido de participação como “figurantes” em publicidade. Lembro que acabou virando exigência legal, mas não sei se durou por muito tempo. Num estado com mais de 70% da população entre negros e pardos, uma figuraçãozinha é o mínimo do mínimo que a mídia poderia ter concedido. E ainda teve muito cliente perguntando assustado depois de assistir ao seu filme publicitário: mas por que um negro no meu comercial?

E isso não é privilégio dos negros. Um ator amador oriental, amigo de um amigo, tentou entrar no mercado publicitário mas desistiu porque só era chamado para fazer papéis bizarros, com estereótipos preconceituosos, ou para representar um produto ruim, falsificado, o Xing Ling do mercado.

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Num universo povoado por agências de publicidade que se dizem modernas e clientes que pregam o “marketing consciente” o que mais se vê é desigualdade, preconceito, homofobia, machismo…  (tente lembrar de um comercial de cerveja sem uma mulher gostosa rebolando para a câmera).

Pois nessa semana uma matéria no Meio & Mensagem me chamou a atenção para justamente o oposto. O Carrefour tinha contratado duas profissionais transgênero  em funções administrativas e de atendimento. E o mais importante de tudo é que fez isso em silêncio, sem se promover, num movimento que durou 7 anos e que começou com a criação de um “comitê de diversidade”, trabalhando em um processo interno de mudança de cultura e conscientização até chegar de fato à inclusão. Em sua página no Facebook, a empresa, pela primeira vez, divulgou o nome das funcionárias, afirmando que oferece “curso de captação em varejo para transgêneros com o objetivo de aumentar a chance dessas pessoas no mercado de trabalho”.

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Ou seja, existe uma luz no fim do túnel empresarial.

Ano passado uma campanha da L’Oréal também fez bastante barulho ao usar uma modelo transgênero como protagonista.

Ainda existe uma dúvida no ar se esses esforços são de fato autênticos, mostrando uma real preocupação social, ou se fazem parte de uma estratégia de marketing para vender, como aconteceu com muitas empresas a partir da década de 90 em relação às questões ambientais.

Mas vamos dar pelo menos um crédito ao Carrefour que levou 7 anos trabalhando na causa sem se promover.

Mas se eu descobrir que foi também uma jogada de marketing da rede, daqui pra frente eu só faço compras no mercadinho da esquina lá de casa (que tem uma funcionária que virou minha amiga e que se chama Rodrigo).

 

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O Rei sem Corona.

Trump parace não se importar com as pessoas, com as instituições ou com o planeta. A sua política segregacionista pode até ser aprovada por um número considerável de americanos, mas o mundo não tem mais estômago para suas atuações indigestas.

Sinto dizer, caro “Trampa”, viver numa ilha ideológica não vai lhe deixar mais elegante nos quadros de moldura rococó da galeria dos presidentes americanos. Pelo contrário, é bem provável que você vá para o canto da sala ou até mesmo para o almoxarifado da Casa Branca.

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Poucos dias depois da posse, o mundo já torce o nariz para sua política desvairada e discriminatória. E não deve demorar para que países do G8 ou até mesmo do G20 comecem a se posicionar diante da ação corrosiva dos seus atos. Ontem mesmo deputados britânicos pediam ao parlamento que não autorizasse Trump a discursar no Palácio de Westminter, onde já discursou Nelson Mandela.

Mas o presunçoso Trump não está nem aí para a torcida adversária. Foi só sentar a bunda na cadeira de Obama, já iniciou uma série alucinante de canetadas, dando razão aos mais pessimistas em relação à sua capacidade de poder e destruição.

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Logo no ponta-pé inicial, retirou os Estados Unidos do TPP, o acordo Transpacífico de Cooperação Econômica. Em seguida, revogou o Programa Obamacare, que garantia um seguro saúde com cobertura médica para mais de 20 milhões de pessoas.

E a caneta nervosa não parava: Trump assinou decretos liberando a construção de dois oleodutos de alto risco ambiental e uma ordem executiva que proíbe o país de financiar órgãos não governamentais de saúde que pratiquem o aborto no exterior como opção de planejamento familiar.

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E, é claro, os mais polêmicos: a suspensão do programa de recebimento de refugiados e o veto da entrada no país de pessoas do Iraque, do Irã, da Líbia, da Somália, do Sudão e do Iêmen.

Pois é, o trator engatou uma oitava marcha e segue com sua pá dianteira em riste ameaçando o que o mundo demorou milênios para semear.

Nessa segunda, Trump demitiu a procuradora–geral, Sally Yates, depois que ela declarou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos não defenderia a decisão de proibir a entrada de refugiados no país.

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Que ele fosse capaz de ameaçar os desafetos, disso ninguém tinha dúvida. Com certeza, contava também com o medo de quem pudesse insinuar uma resistência. Mas o que o deselegante e antipático proprietário de cassinos não esperava era a reação imediata das grandes empresas da área de tecnologia e de campanhas publicitárias corajosas.

Pouca gente sabe, mas 74% dos funcionários das empresas do Silicon Valley  são de outras nacionalidades. Motivo de sobra para a reação por exemplo de Zuckerberg que declarou que os Estados Unidos são um país de imigrantes e que todos devem ter orgulho disso. E que a baixa no recrutamento de talentos internacionais é preocupante e perigosa para o próprio desenvolvimento tecnológico do país.

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Assim como Zuckerberg, os diretores executivos da Apple, da Netflix e da Microsoft também se pronunciaram, valorizando a mão de obra internacional. Mas houve casos mais contundentes, que saíram do âmbito do discurso e que denotam um tom claro de enfrentamento.

Foi o caso de Brian Chesky, CEO da Airbnb, que em seu Twitter declarou que a empresa está oferecendo hospedagem gratuita a qualquer pessoa que for impedida de permanecer nos Estados Unidos.  Ou ainda da rede “americana” de cafeterias Starbucks que planeja contratar dez mil refugiados de 75 nacionalidades para suas lojas espalhadas pelo mundo.

E até mesmo a Uber, criticada por fazer parte de um conselho de negócios de Donald Trump, se manifestou oferecendo ajuda financeira para os colaboradores que forem impedidos de trabalhar em função das restrições.

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Mas é provável que o golpe mais bem aplicado no queixo de vidro do mal educado presidente norte-americano seja o da cerveja mexicana Corona. Com a campanha “Somos Todos America”, que desafia e se contrapõe ao slogan de Trump “Make America Great Again”, a marca se posiciona como uma promotora da desfronteirização dos países, em claro confronto ideológico com o obtuso presidente que pretende construir um gigantesco muro, demarcando suas fronteiras e separando os países.

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Independente do risco de sofrer sanções e perder mercado dentro dos Estados Unidos, a marca Corona merece os mais efusivos elogios por sua coragem e hombridade em defender a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Que outras marcas sigam o exemplo da Corona.

De minha parte, prometo comprar uma caixa da cerveja depois de escrever esse artigo.

Opa, terminei.

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