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Funk you, man.

Um amigo me pediu para que eu escrevesse sobre o sucesso do MC G15.

Aí eu pensei: o que será um MC G15? Um robô? Uma galáxia? Um fusil do exército?

O velho amigo Google logo esclareceu minha dúvida:

Gabriel Paixão Soares (Duque de Caxias, 1998), mais conhecido pelo seu nome artístico MC G15, é um cantor brasileiro de funk ousadia. Tornou-se internacionalmente conhecido pelo lançamento da canção “Deu Onda“, em novembro de 2016, single que esteve no topo da playlist mundial da plataforma Spotify.

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Confesso que me deixou confuso. Como pode alguém ficar internacionalmente conhecido com uma música lançada em novembro de 2016? Ou seja, há pouco mais de dois meses.

Caetano Veloso, Chico Buarque, Miles Davis, Michael Jackson, os Rolling Stones e até mesmo os Beatles não conseguiram. Mas o “genial” MC G15 conseguiu. E tocando funk ousadia.

Vamos contextualizar: o funk carioca (assim como o paulista, o da baixada etc) é provavelmente o maior lixo musical da história. Até o axé music, o pagode baiano e o sertanejo universitário são mais ricos em harmonia. É um verdadeiro crime chamar esse estilo musical de Funk, confundindo-o com a funk music criada nos anos 60 e imortalizada por monstros como James Brown, Average White Band, Funkadelic, Kool and the Gang e mais recentemente por excelentes bandas como The Sound Stylistcs, Baby Charles, Galliano e Jamiroquai.  Assim como o funk paulista gerou o “Ostentação”, o carioca criou alguns gêneros de muito sucesso como o Funk Proibidão, o Funk Melody, o Rasteirinha e o “Ousadia”, motivo do nosso artigo.

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Como naturalmente não sou conhecedor do assunto, fui dar uma leve pesquisada nos expoentes do tal funk ousadia. Li algumas matérias, escutei algumas entrevistas com os cantores, li algumas de suas letras. E até pelos nomes dá pra ver que são pós-adolescentes (MC Livinho, MC Brinquedo, MC Pedrinho, MC Pikachu… ) que se aventuraram nesse pobre universo musical em busca de sucesso e reconhecimento.

Garotos sem formação nenhuma (tanto musical como intelectual… muitas vezes nem mesmo escolar) que experimentaram a fama graças a um sucesso relâmpago como o do MC G15, ou com uma série de músicas com letras chulas, naturalmente mal escritas e de apelo sexual.

Deu onda é exatamente isso: uma música repulsiva, com uma letra tão inadjetivável que me vejo obrigado a reproduzir alguns de seus trechos:

“Eu não preciso mais beber e nem fumar maconha./Que a sua presença me deu onda./O seu sorriso me dá onda./ Você sentando mozâo, me deu onda./Que vontade de foder, garota./ Fazer o que? O meu pau te ama./ Meu pau te ama. Caralho.”

Se você ainda não teve o desprazer de ouvir, pode acreditar… a letra é exatamente essa (eu só tirei a parte sem graça)

É óbvio que a censura acabou exigindo uma “versão light” da letra, que toca nas rádios e na TV. Já a versão original só pode ser ouvida na internet (reduto natural de crianças e adolescentes, é claro).

E é muito comum ver a garotada de 10 ou 12 anos dançando a coreografia do clip com gestuais grotescos imitando sexo.

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Pois é, meu amigo, esses são os fenômenos musicais de hoje em dia. Melodias de péssima qualidade e letras falando sobre drogas, sexo, dinheiro, armas…

Mas fique tranquilo, essas músicas jamais chegarão aos seus ouvidos. Afinal, você tem bom gosto e só consome o que tem qualidade. Mas as crianças, os adolescentes e 95% do público em geral, que passa de 10 a 14 horas por dia em frente a uma tela de TV, computador ou smartphone… esses sim, continuarão ouvindo e curtindo.

Pois é, parece que esse poço não tem fundo mesmo. Que saudade da minha ingênua adolescência, onde o sucesso musical instantâneo era o Chico Buarque e as suas letras subversivas.

Mas eu queria deixar aqui um recado para os grandes empresários desse segmento da indústria fonográfica e em especial para os produtores musicais que realmente ganham dinheiro com esses meninos do funk:

Meu pai odeia vocês. (versão light)

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Do luxo ao lixo

E o prefeito de São Paulo, João Doria Jr, toma posse em grande estilo. Um pouco diferente, é verdade, do estilo parisiense que está acostumado. Mas foi uma posse que, sem dúvida, chamou a atenção de todos e explodiu na mídia:

de manhã cedo, ele se vestiu de gari e, empunhando uma vassoura, posou para fotos como se estivesse ajudando o pessoal da limpeza urbana logo no seu primeiro dia de mandato.

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É claro que o pessoal da limpeza “de verdade” já tinha dado uma boa garibada no chão para que o prefeito não corresse o risco de ter que sujar suas cheirosas e delicadas mãozinhas retirando algum resíduo sólido do chão que porventura sua vassoura não conseguisse remover.

Mas não foi a escalafobética estratégia de marketing pessoal que mais surpreendeu. E sim o seu depoimento, logo em seguida.

Questionado se era a primeira vez que ele fazia uma faxina, o agora prefeito disse:

“É a primeira de muitas”. E prometeu que pelo menos uma vez por semana, durante os próximos 4 anos, estará nas ruas como gari.

Me desculpem, mas preciso de alguns minutinhos para fazer um cálculo rápido junto com vocês. Vamos lá:

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Para fazer uma palermice como essa, de se vestir de gari e ir até um determinado local e fingir que está trabalhando, o prefeito vai perder aproximadamente duas horas num dia.

Como ele se propõe a fazer isso uma vez por semana, serão 8 horas num mês (alguns meses têm 5 semanas, mas vamos dar esse desconto). Em um ano, ele perderia 96 horas. Como são 4 anos de mandato, seriam 384 horas. Dividido por 8, que são as horas que em média ele deveria trabalhar por dia, teremos 48 dias trabalhados.

Ou seja, só pra fazer essa tolice, ele perderia, em todo o seu mandato, 48 dias de trabalho. Dias em que ele deveria estar resolvendo problemas de interesse real para a população, como os voltados para a saúde, a educação, a segurança…

É o fim da picada.

 

Mas capacidade de trabalho é uma coisa que realmente impressiona quando falamos do novo prefeito da capital paulista:

Com apenas 59 anos de idade, João Doria Jr. (além de filho do milionário João Doria) foi publicitário, editor, relações públicas, promotor de eventos, apresentador de reality show, entrevistador, diretor de TV, diretor de marketing, escritor de livros de autoajuda,  presidente da EMBRATUR, colunista da ISTOÉ, Chairman da Casa Cor…

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Pois é, estava faltando o posto de gari no seu currículo.