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A grande façanha dos youtubers

Que as pessoas estão cada vez mais rasas, desinteressantes e sem bagagem, não é novidade pra ninguém. Nem mesmo para as próprias. Aliás, elas se assumem como pessoas visuais, que preferem a imagem ao texto. Que não têm paciência para ler mais do que 5 ou 6 linhas.

Que preferem os livros para colorir, o cinema de vampiros e transformers, os dramalhões das novelas, os sertanejos universitários, os funks, os arrochas e os wesley safadões.

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Que têm o universo inteiro na tela do seu computador ou smart phone, mas escolhem caçar monstrinhos virtuais no quintal do vizinho.

Que preferem escrever “nada haver” do que perder 5 segundos no Google para corrigir o erro grosseiro que acabam publicando.

Que adotam, sem embasamento algum, posturas políticas, sociais e científicas apenas porque os seus amigos (igualmente obtusos) defendem radicalmente.

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Mas o que realmente assusta os sociólogos, psicólogos e estudiosos dos novos fenômenos da comunicação é a capacidade que essas pessoas têm de endeusar as web personalidades. Estou falando especialmente dos youtubers que produzem vídeos sem conteúdo nenhum mas que acabam conquistando milhões de visualizações e, por incrível que pareça, milhares de reais em suas contas bancárias.

Pessoas comuns, que de um dia para o outro começam a gravar vídeos caseiros sem roteiro, sem produção, sem conteúdo e, na maioria das vezes, sem graça nenhuma. Mas que assim mesmo conseguem arrebanhar uma multidão de seguidores, ao ponto de serem reconhecidos e cercados na rua por dezenas de adolescentes “de 30 anos de idade” para que autografem suas camisetas.

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E o fanatismo é tão absurdo que esses “produtores” de vídeo acabaram se transformando em web influencers. Não entendeu? Eu vou explicar: esses caras, sem graça, sem talento e sem o mínimo preparo intelectual, se tornaram mega stars da internet e hoje influenciam diretamente o comportamento de jovens (e muitos não tão jovens assim).

E, como não podia ser diferente, as grandes marcas logo começaram a investir nos canais desses meninos, atrás do seu grande público de seguidores. O que, diga-se a verdade, acabou até melhorando a qualidade dos seus vídeos (mas nada que os tornasse interessantes).

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Muitos vão ler esse artigo e me chamar de velho, desatualizado, ultrapassado, entre outros “elogios”.  Mas, sinceramente, eu prefiro ser tachado de antigo do que assistir Marcela Tavarez enfiar laranjas no sutiã e cagar regrinhas simples de português como se fosse a erudita da internet. Ou ter que ver um vídeo do Whindersson Nunes dançando de cueca e falando das suas experiências tristes da infância. Ou aguentar as piadinhas bisonhas da Kéfera se achando muito mais engraçada do que o Marco Luque e os seus sensacionais personagens (que por sinal têm menos seguidores do que a menina).

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Ok, ok… eu posso até não ser moderninho. Mas também não sou burrinho.