shutterstock_403245343

Heavy user? Que porra é essa?

Falar “budget” no lugar de orçamento, “business” no lugar de negócio, “feedback” no de retorno ou “brand” querendo dizer marca… me perdoem, mas pra mim isso é pura arrogância.

Nas minhas veias não corre um pingo de patriotismo, mas sinceramente acho o fim da picada você ter que usar termos em inglês (ou qualquer outra língua que seja) para se comunicar.

Cá entre nós, a maioria das pessoas hoje beira a imbecilidade, tendo sérias dificuldades em se expressar em português, mas insiste em usar palavras e frases em inglês, especialmente no ambiente de trabalho, onde impera o marquetês e sua linguagem idiotizante.

 

marketing-affiliates-digital-marketing

 

Como assim, idiotizante?

Muito bem, você por um acaso acha normal falar “influencers” no lugar de influentes ou influenciadores?… ou ainda objectives pra dizer objetivos? Sem falar em “mission”, “product”, “strategies” ou “public relations”. O que há de errado em falar missão, produto, estratégias ou relações públicas? Convenhamos, é boçalidade demais.

Alguns acham charmoso, outros elegante (como no início do século passado, quando a moda era usar palavras em francês)…

 

shutterstock_161016836

 

…outros até argumentam que tecnicamente alguns estrangeirismos se comportam melhor em determinadas situações. Mas, o que acontece na prática é a simples substituição de termos e conceitos pelo que o mercado internacional definiu como linguagem padrão (como se todas as empresas brasileiras operassem no mercado internacional (sic)). Me desculpem, mas se o interlocutor não conhece o português e não tem um intérprete, aí sim deve-se usar o inglês. Caso contrário, por que não preservar a nossa língua?

 

 

shutterstock_340405046

 

O brasileiro tem essa péssima mania de querer falar a língua do estrangeiro quando ele (o estrangeiro) está aqui no Brasil. O que pra mim é um absurdo. Se você for a trabalho para a França, ninguém vai falar em português com você. Nem na Espanha, onde as línguas se assemelham. Por que então falar francês quando um francês vem pra cá… ou até mesmo usar o inglês com algum empresário americano? Ele que se foda e pague um intérprete pra conversar com a gente. Se ele está aqui é porque tem interesse econômico ou financeiro… então, que assuma os seus custos. Temos que acabar com esse complexo de vira lata.

 

shutterstock_189291665 (1)

 

Uma cena patética que vemos com frequência na televisão é nas entrevistas de jogadores de futebol argentinos, chilenos ou de algum outro lugar da América Latina, onde os nossos repórteres insistem em falar com eles em espanhol… só que acabam usando um portunhol vergonhoso. E o mais engraçado é que o jogador também tenta falar em português, o que deixa a conversa mais parecida com o esperanto. O jogador está certo, ele tem que falar a língua do país onde ele está. Já os repórteres… lamentável.

 

Esperanto

 

Ok, ok, o inglês é a língua universal. Mas não esqueça que isso pode e deve acabar. Não vejo nenhum absurdo em prever que o mandarim e o espanhol rebaixem o inglês para a segunda divisão. Aí já pensou você ter que aprender termos em chinês só pra poder se adaptar ao novo marquetês? (eu ia rir muito, mas infelizmente não vou ver essa cena)

 

6382548007_d6e64326dc_z

 

Acho que todo mundo deve aprender outras línguas, até porque são necessárias quando você viaja para outros países. Mas aqui no Brasil, me desculpem, temos que ligar o “foda-se”…  e não o “fuck yourself”.

 

shutterstock_338125325

 

Nesse momento do texto eu fiz uma pausa e pensei “será que eu nunca usei nenhum termo em inglês (ou outra língua qualquer) em alguma crônica ou artigo que eu escrevi aqui no meu blog?”

 

Fui então dar uma olhadinha. Olha só o que eu encontrei:

“cool”, “social media”, “web”, “fan page “, “target”, “look”, “inserts”, “offline”, “punch”, “budget”, “job”, “smart”, ”merchandising”, “happy”, “home office” e até um “pièce de résistance”.

 

Como diz o status do facebook: se sentindo um perfeito idiota (ou, como queiram, “a perfect  idiot”).

 

Aí eu lembrei que o meu nome é Brain (por que, mamãe… por que?)

8598735079_12ab6f6bd7_z

McDonald’s na caça dos caçadores de Pokémon.

O McDonald’s acaba de anunciar que os seus restaurantes no Japão terão localização patrocinada no Pokémon GO.

A marca é a primeira a investir no jogo que virou febre mundial em apenas 15 dias.

 

shutterstock_416058310

 

Enquanto milhares de adolescentes gastam tempo e dinheiro caçando monstrinhos pelo celular, o McDonald’s enriquece fazendo essa galera engolir seus sanduíches suspeitos.

 

Leia a matéria aqui:

http://bit.ly/29W2xGp

 

22795803170_013121e0a3_z

A Ressaca II

Sexta passada, arrisquei mais um happy hour. Fui sozinho, como sempre. Ou seja, nada tão happy assim.

Dessa vez, escolhi um barzinho mais popular, com cerveja de 600ml. Cerveja comum. Lá, a única coisa artesanal era um hippie argentino vendendo pulseira de miçangas na porta.

Sentei e pedi o cardápio. A Original era 1 real mais cara que a Brahma. Resolvi cometer essa extravagância e pedi uma gelada e um frango à passarinho.

 

8468282561_66ec999692_z (1)

 

O garçom já chegou me chamando pelo nome:

– Seu Meireles, quanto tempo o senhor não aparece.

Pra quem ainda não sabe, meu nome é Brain… e eu nunca tinha pisado nesse boteco. Mas fingi que era o tal Meireles. De repente eu ganhava uma saideira ou uma porção mais caprichada, vai saber.

O lugar, apesar de ter mesa de madeira com cadeira de plástico, até que estava bem frequentado. Umas quatro ou cinco mesas com garotas bonitas e rapazes bem vestidos. Sabe como é… happy hour, nessa crise, só é “happy” se for barato. A única coisa que não mudou foi a “hour”.

E lá vem o garçom com a Original e a intimidade:

– Seu Meireles, tá aqui sua gelada. O senhor está sozinho hoje?

 

4808716912_53f77a06c9_z

 

Confirmei com a cabeça e um sorriso amarelo-cerveja.

Dois minutos depois, aparece o garçom trazendo pelo braço um outro cliente:

– Seu Meirelles, o Afonso queria lhe conhecer. Eu sempre falo do senhor pra ele.

PQP, definitivamente eu não dou sorte em happy hours.

O Afonso puxou uma cadeira e em menos de 5 minutos já tinha contado 50% das suas aventuras como empresário local falido. Pedi licença ao “novo amigo” e fui fazer xixi na tentativa de ganhar tempo e pensar em alguma estratégia de fuga. Naquele ambiente pestilento, de 1m por 1m, eu só conseguia pensar em voltar pra mesa. Os 5 minutos com o Afonso me pareceram encantadores, comparando com os 30 segundos do banheiro fedorento.

 

shutterstock_443910361

 

Sentei e recebi logo uma pergunta nos peitos:

_ Meireles, você faz o que da vida?

Pensei em mil atividades e profissões, mas não consegui ser criativo o suficiente pra mentir:

– Sou publicitário, mas trabalho em casa… home office.

Ele torceu o nariz e fuzilou:

– A publicidade destruiu o meu negócio. Quer dizer, não foi bem a publicidade. Eu vou explicar.

Caramba, mais uma DR profissional, não acredito. Lembrei na hora do que eu escrevi no blog na semana passada (http://blogdobrain.com.br/a-ressaca-de-um-ex-publicitario/) . Liguei o radar e comecei a prestar a atenção em tudo. Seria a matéria-prima para essa crônica que vocês estão lendo agora.

O Afonso então colocou o cinto, virou a chave, arrumou o retrovisor, engatou a primeira e pisou fundo:

– Eu tinha um negócio lucrativo e fazia bastante publicidade. Em televisão, no rádio, outdoor… eu tava pensando até em investir em internet, todo mundo dizia que era baratinho. Aí, descobri que a minha agência de publicidade ganhava 20% do que eu pagava pra TV, pro rádio, pra tudo. Fiquei indignado. Eles eram criativos e tal, sabiam fazer coisas legais e conseguiam vender meu produto. Mas 20% era muita grana. Aí resolvi negociar direto com os veículos. Resultado: comecei a gastar 20% a menos com propaganda.

Dei então uma interrompida só pra ele recuperar o fôlego:

– Aí sua empresa cresceu.

 

crisis-ere

 

Ele encheu o copo com a Brahma que tinha trazido de sua mesa, deu um gole pequeno pra não molhar o bigode e continuou:

– Porra nenhuma. Foi aí que desandou tudo. Os veículos começaram a criar a minha própria propaganda e o meu produto passou a vender cada vez menos. Quando eu percebi, já era tarde. Tive que fechar.

Passamos mais umas duas horas divertidas, falando mal de uma porção de gente da área. De repente, o Afonso apoiou suavemente a mão no meu ombro e falou:

– Meireles, foi um prazer te conhecer… mas eu preciso ir embora. Posso pedir a conta?

Ao chegar a dolorosa, percebi o Afonso colocando uma gorjeta no bolso do garçom e falando baixinho no seu ouvido:

– Aí estão os seus 10%, meu amigo. Pago separado porque você merece.

Me levantei, sorri pro Afonso e dei nele um abraço sincero e demorado.

Em casa, assistindo Sexytime no Multishow, eu pensei: “propaganda é foda.”

shutterstock_2777914

Hoje, até o bolo publicitário é gourmet.

Eu não gosto de programa de culinária, nem mesmo do tipo reality show. Mas sou minoria. As mulheres amam e os homens descobriram que com dois cliques no controle remoto dá pra esquecer um pouco o 539 e experimentar o 541. Tudo bem, existe audiência, tenho que admitir… mas precisa ter tanto programa assim?

Olha só a listinha:

Master Chef e Dia a Dia Receita Minuto, na Band;

Master_chef

Ana Maria Braga, Estrelas e Bem Estar Alimentação, na Globo;

mais-voce-logo-2013
Hoje em Dia Receitas, na Record;

Melhor Pra Você, na Rede TV;

96f6bd2a653720fac50c458d3a3279924a5ad568c9b356f7ae0337cc4e992219d37613d58a9000dcf25f

Que Marravilha, Que Marravilha Chefinhos, Que Marravilha Chato pra Comer, Diário de Olivier, Food Truck – A Batalha, Mão na Massa, Cozinha Sob Pressão, The Taste Brasil, Bela Cozinha, Receitas da Carolina, Que Seja Doce, Tempero de Família, A Cozinha Caseira de Annabel, Cozinha Mediterrânea, Cozinha Prática – Rita Lobo, Viagem Gastronômica, Nigella, Receitas do Chuck, GNT Receitas, Cozinheiros em Ação e Programa da Palmirinha, no GNT.

nihra9h2j3zqw05aube2

Fora aqueles onde a culinária não é pièce de résistance, tipo “Você Bonita – Receitas”, “Canal Bem Simples Receitas” ou “Todo Seu – Ronnie Von Gastronomia” (e eu sei que tem mais, só não tive paciência de ficar fuçando no Google.)

Agora imagina como deve ficar doidinho o mídia na hora de fatiar a verba do cliente.

shutterstock_332909603

Pra ser sincero, tem um programa de culinária no Canal Brasil que eu adoro. Até porque a praia dele é justamente desconstruir essa onda gourmet que se instalou no cérebro dos videotas (calma, calma, “videota” não tem nada a ver com idiota do vídeo….significa, na verdade, viciado em TV). Quem ainda não viu, é só clicar no vídeo abaixo. Larica Total, a cozinha verdade:

6939587857_2e86615815_z

A ressaca de um ex-publicitário.

Sexta passada, resolvi tomar uma cerveja no happy hour de um desses barzinhos metidos a besta do Gonzaga (na hora que veio a conta, percebi que o metido a besta na verdade era eu).

O garçom, supereducado, me indicou uma mesa de canto. Pedi uma Original e uma porção de fritas. Na mesa ao lado, um outro frequentador solitário pedia uma dose de Black.

O sujeito, de uns cinquenta e poucos, me encarou por uns 10 segundos e disparou com a naturalidade etílica de quem já passava da terceira dose: “Você sempre se veste assim, com esse chapeuzinho estranho e essa gravata borboleta de Jerry Lewis?”

 

 

(eu nem lembrava mais do Jerry Lewis, mas achei divertido quando vi no Youtube no dia seguinte)

E não é que o sujeito se levantou e veio sentar na minha mesa…

Eu logo pensei “PQP, vou ter que aguentar esse mala”. Mas, pra minha surpresa, o tipo era engraçado pacas e cheio das historiazinhas criativas.

O garçom, sempre atencioso, me trouxe a terceira garrafinha de 300ml. Foi quando descobri que o cara que sentou na minha mesa era publicitário. Sinceramente eu não sei se na hora eu fiquei triste ou feliz. Mas o sujeito acabou se mostrando mais Original do que a minha cerveja…então relaxei.

Quando ele soube que eu escrevia sobre propaganda, não parou mais de falar sobre o assunto. Aí eu liguei o meu radar e comecei a anotar mentalmente o que ele falava, já pensando na próxima crônica.

 

12541414943_fc7e55425d_z

 

Foi quando ele disse que já tinha sido dono de uma agência de publicidade, mas que a tinha fechado há alguns anos porque os clientes começaram a querer negociar os honorários de veiculação da agência.

Pedi pra que ele falasse mais sobre o assunto (e pro garçom, eu pedi a sexta garrafinha). Ele então esvaziou o copo, afrouxou o nó da gravata e começou a desfiar o novelo da sua vida empresarial:

– Brian, é o seguinte (eu tentei a noite inteira fazer com que esse homem me chamasse de Brain, mas não teve jeito). Os veículos de comunicação me “estreparam” (ele usou um termo impublicável, tive que achar um sinônimo). Minha agência ia bem e tal. Mas de repente as TVs, rádios e outros veículos passaram a faturar o honorário das agências separado do valor total da veiculação.

Aí me fiz de desentendido e quis saber dos detalhes:

– Como assim?

 

shutterstock_155822435

 

Ele sorriu com o canto da boca como quem pensa “Ô sujeitinho ignorante, escreve sobre propaganda e nem sabe o que é honorário?” e continuou:

– É o seguinte: imagine que veicular um comercial na TV custe 10 mil reais. Pois bem, o veículo cobra os 10 mil do cliente e repassa 2 mil (que são os tradicionais 20% de honorário) para a agência. Acontece que os veículos emitiam uma nota de 10 mil para o cliente e pagavam imposto sobre o valor total, quando na verdade ficavam com apenas 80% do valor da veiculação. Eles então, fazendo economia de palito, resolveram faturar separado: 80% do valor para o cliente e 20% para a agência. Acontece que o cliente, mesmo sabendo que a agência sobrevive de honorários, achou um absurdo ter que pagar 20% para a agência. E imaginou que se negociasse direto com o veículo economizaria esses 20%. A partir de então, muitos clientes dispensaram as suas agências, abrindo mão da qualidade profissional e criativa. Ou seja, os veículos nos “estreparam” (de novo o sinônimo).

Ele falava aquilo com um misto de raiva e desabafo, apertando o meu ombro como se eu fosse o gerente comercial da Globo ou da Record.

 

shutterstock_303056144

 

Depois de mais algumas doses e vários podres profissionais (que podem ser assunto para uma próxima crônica), ele deu um tapa nas minhas costas e falou:

– Bora fechar essa conta aí que eu já bebi… e falei demais.

E pediu duas saideiras e a conta. O garçom, com a rapidez de sempre, trouxe a bebida e falou que a conta chegava num instante.  Três minutos depois, aparece o proprietário dizendo:

– Aqui está a conta de vocês. Tá sem os 10% do garçom. Eu já pago salário pra ele.

O meu parceiro de happy hour olhou pra mim, olhou pro proprietário, respirou fundo e disparou:

– enfia esses 10% no…