Longo

Melhor do que ler um texto longo… é ter que reler.

A agência me comunicou que recebeu algumas reclamações dizendo que os meus textos eram muito extensos. Que ninguém tinha paciência de ler.

Ok, tenho que concordar. Estamos na internet, onde as mensagens são rápidas. E ainda falo sobre propaganda, que tem que ser sempre curta, clara e objetiva.

Mas eu queria dizer apenas uma coisinha que me parece muito importante: este não é um espaço para o grande público da internet, esse público 100% visual, desinteressado, que não tem paciência para ler nem validade de pão de forma.

Quem acessa esta página se interessa por “comunicação”. São pessoas que procuram informações alternativas, opiniões diferentes.

Mas, ao mesmo tempo, é um território livre, democrático. E que todos, sem distinção, podem ler (ou não) os meus textos. Assim como podem curtir ou não as postagens que são feitas aqui.

E sei que, apesar do interesse pela página, alguns não têm de fato paciência para ler textos um pouco mais longos. E a maioria, acredito, não tem nem mesmo tempo para isso. Somos todos reféns de dezenas de ocupações diárias… e cobrar atenção é um despropósito.

Apesar de contar com a compreensão e a dedicação do público mais interessado, me comprometo, daqui pra frente, a enxugar ao máximo os textos antes de postá-los.

Até porque sempre existe uma gordurinha para tirar, muitas vezes até parágrafos inteiros.

Por exemplo: isso tudo que eu acabo de escrever poderia ser lido apenas com os parágrafos mais escuros. Teria praticamente o mesmo efeito. Ou seja, prometo me policiar.

Politicos

Os políticos e suas campanhas.

Como é possível falar de propaganda num momento como esse?

Pensando bem, é possível sim. Aliás, o que os políticos têm feito nos últimos dias é justamente usar os seus mais eficientes canais de comunicação para, de um lado, garantir a estabilidade de um governo que está na beira do abismo e, de outro, para empurrá-lo à queda iminente.

O governo sente a falta de seu mentor João Santana para reorganizar os discursos de sobrevida de Dilma e Lula enquanto a oposição (leia-se todos) usa a mídia, direta ou indiretamente, na tentativa de derrubá-los.

Acontece que nesse grande planejamento de comunicação de ambas as partes quem sofre é o consumidor, ou seja, o povo.

Um conselho muito importante do amigo Brain: interprete muito bem o texto dessas “campanhas publicitárias”. Elas podem decidir o seu futuro.

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Hoje eu vou falar de social media.

Pra quem não é da área e não sabe, social media significa mídia social. E pra quem é, social media também significa mídia social (e não apenas o profissional que atua na mídia digital, como a maioria acha que é).

Profissional? Ou será o sobrinho? O que a gente mais vê hoje em dia é cliente dispensando agência de publicidade e empresas de web com o seguinte argumento: “Não precisa, eu tenho um sobrinho que é muito bom nesse negócio de internet e ele faz tudo pra mim”.

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Acho engraçado esse tipo de raciocínio. Será que só o fato de alguém ter 16 anos de idade, muitos amigos no facebook e algumas centenas de seguidores no Twitter torna o sujeito um especialista em redes sociais? Pra ser especialista em alguma coisa, as pessoas têm que estudar. Estudar e muito. É preciso experiência, observação, leitura. E isso depende de tempo, de vivência. O erro é achar que um menino, por mais esperto e inteligente que seja, pode resolver todos os problemas de comunicação de sua empresa.

Aliás, é bom falar sobre isso também: quem disse que uma boa página no facebook é solução de comunicação para uma empresa? Mark Zuckerberg deve morrer de rir quando ouve alguém falando essa bobagem. Depois que o playboy dono do facebook resolveu praticamente zerar o seu algoritmo de viralização orgânica, as fan pages perderam a sua capacidade de multiplicação espontânea e passaram a multiplicar apenas a fortuna de Mark. Marcelo Serpa, ícone da publicidade atual, foi na jugular ao comentar o assunto: “O Facebook e o Youtube são como traficantes que vão dando a cocaína de graça na porta da escola para depois começar a cobrar dos viciados”.

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Tudo bem, foi exatamente isso que transformou o Facebook numa mídia de verdade. Mas acontece que por não conhecer nada de impulsionamento, filtros e métricas, os empresários e seus sobrinhos jogam fora o pouco dinheiro que investem acreditando que isso vai lhes trazer retorno. É muito comum ver um pequeno empresário se vangloriando de ter atingido milhares de pessoas do seu target, investido apenas uns trocados. Que ilusão.

Não estou dizendo que as redes sociais não funcionam. Nada disso. Se trabalhadas por profissionais experientes de mídia, pesquisa e criação, que sabem o quanto e como se deve investir, é possível sim ter resultado. Aliás, só uma página com conteúdo relevante, criativo e inovador é capaz de gerar valor para uma marca.

Mas, cá entre nós, com uns trocados por mês de impulsionamento e o sobrinho escrevendo “tudo haver” fica difícil, né.

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E o Oscar de la Renta vai para… Reese Whiterspoon.

Mais uma vez perdi o meu tempo assistindo ao Oscar. Independente da qualidade dos filmes, que é sempre discutível, o que anda me incomodando ultimamente é a quantidade de publicidade que está por trás da glamourosa cerimônia de entrega do prêmio. Não estou falando aqui de mídia, espaços comprados, propaganda tradicional. Essa todo mundo percebe, gostando ou não.

Talvez a Gloria Pires não tenha visto, mas o filme que tem se repetido nos Oscars dos últimos anos é o da exposição de marcas. Principalmente as que compõem o look dos artistas que desfilam os seus charmes sobre o tapete vermelho. Desfilam apenas o charme, até porque a roupa, as joias e os acessórios nunca fizerem parte de seus guarda-roupas. É tudo merchandising. Dinheiro de marcas famosas que patrocinam não apenas os modelos, mas também a própria cerimônia.

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Não sou contra patrocínios, é claro. Só acho que a Academia deveria se preocupar um pouco mais com o cinema como arte, tentando evitar que o poder político-financeiro dite as regras do evento. Se você ainda não sabe, só as negociações para ver quem veste o vestido das marcas x ou y começam cerca de 6 meses antes da cerimônia.

Me desculpem, mas o fato de Reese Whiterspoon não ter “entrado” perfeitamente num Oscar de la Renta de alguns milhões de dólares não pode ser mais importante do que as exigências de Iñarritu para filmar as cenas arrojadas de O Regresso. Os milionários brincos e braceletes Neil Lane de Jennifer Garner não podem chamar mais a atenção do que os criativos inserts que explicam os termos financeiros de A Grande Aposta.

Até mesmo a credibilidade do discurso de artistas de peso que condenam o preconceito racial, a xenofobia ou a fome na África, acaba balançando em seu eixo quando os vemos lambendo os beiços no jantar pós Oscar ao provar um pouquinho dos 10 quilos de caviar e bebericar em uma das 2.400 garrafas de Piper-Hidesick.

Antigamente, eu ficava indignado com a quantidade de comerciais nos intervalos do Oscar. Hoje, a festa anda tão comercial que quando chega o intervalo eu acabo me divertindo muito mais.